quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

36 - Hipólito de Roma (160 - 235) Obra: Tradição Apostólica - Parte 2 (Capítulos 1 ao 7).

36
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Hipólito de Roma (160 - 235)
Obra: Tradição Apostólica
Parte 2  (Capítulos 1 ao 7).



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PARTE 2: CATECUMENATO E LITURGIAS DIVERSAS

1. Os novatos
Aqueles que são trazidos pela primeira vez para escutar a Palavra, sejam direcionados aos catequistas, antes da chegada do povo, e sejam interrogados sobre a razão pela qual resolveram se aproximar da fé. Aqueles que os trouxerem, dêem testemunho deles, informando se estão preparados para ouvir a Palavra. Sejam também interrogados sobre a vida que levam: se possuem esposa, se são escravos... Se algum deles for escravo de um fiel (irmão de fé) e o seu senhor permitir, que escute a Palavra; mas se o seu senhor não der bom testemunho dele, seja recusado. Se o seu senhor for pagão, seja-lhe ensinado a agradar seu senhor, para que se evite a blasfêmia. Se um homem possui mulher ou se uma mulher possui marido, sejam ensinados a se suportarem, o homem com a mulher e a mulher com o marido. Porém, se um homem não vive com a mulher, seja ensinado a não fornicar, recebendo a mulher conforme a Lei ou permanecendo como está. Se alguém estiver possuído pelo demônio, não escute a Palavra doutrinária enquanto não for purificado.

2. Profissões proibidas
Deve-se interrogar, também, a respeito dos trabalhos e ocupações exercidos por aqueles que se apresentam para ser instruídos. Aquele que possui prostíbulo: desista ou seja recusado. O escultor ou pintor: seja ensinado a não produzir ídolos, isto é, cesse ou seja recusado. O ator que representa no teatro: cesse ou seja recusado. O pedagogo: é bom que cesse, ensinando somente se não possuir outra habilitação. O cocheiro competidor e os que freqüentam espetáculos de luta: cessem ou sejam recusados. O gladiador, o treinador de gladiadores, o bestiário e os empresários de lutas gladiatórias: cessem ou sejam recusados. O sacerdote ou guardião de ídolos: abandone-os ou seja recusado. O soldado que recebe o poder de matar: não matará ninguém, mesmo se isto lhe for ordenado, nem prestará juramento. Se não concordar, seja recusado. O que possui poder de gládio e o magistrado da cidade, que se reveste de púrpura: renunciem ou sejam recusados. O catecúmeno e o fiel que desejam se tornar soldados: sejam recusados por desprezarem a Deus. A prostituta, o pervertido, o homossexual e qualquer outro que pratiquem atos indizíveis: sejam recusados por serem impuros. O mágico: não deve ser apresentado para o interrogatório. O feiticeiro, o astrólogo, o adivinho, o intérprete de sonhos, o charlatão, o ilusionista e o fabricante de amuletos: renunciem ou sejam recusados. A concubina, se for escrava do amante, se tiver educado os filhos e se tiver unido apenas a esse homem: pode ouvir a Palavra; caso contrário, seja recusada. Aquele que possuir uma concubina: renuncie a ela e receba uma mulher conforme a Lei; se não o quiser, seja recusado. Se tivermos omitido algo, as próprias ocupações dirão [se são ou não permitidas], pois todos nós temos o Espírito de Deus.

3. Os catecúmenos
Os catecúmenos devem escutar a Palavra por três anos. Se algum deles for dedicado e atencioso, não lhe será considerado o tempo: somente o seu caráter, e nada mais, será julgado. Cessando o catequista a instrução, rezarão os catecúmenos em particular, separados dos fiéis. As mulheres, sejam elas catecúmenas ou fiéis, permanecerão rezando em particular em qualquer parte da igreja. Ao concluírem as orações, ainda não darão a paz porque o seu ósculo ainda não será santo. Os fiéis, porém, saudar-se-ão, reciprocamente: os homens aos homens e as mulheres às mulheres; os homens não deverão saudar as mulheres. Estas devem cobrir a cabeça com um manto que não seja feito de linho, pois este tipo não serve para cobrir [a cabeça]. Após a prece, o catequista imporá as mãos sobre os catecúmenos, rezará e os dispensará. Não importa se é clérigo ou leigo: aquele que prega a doutrina deve assim agir. Se um catecúmeno for preso por causa do nome do Senhor, não deve se desesperar: se sofrer violência e morrer antes de ter recebido o perdão de seus pecados, será justificado por ter experimentado o batismo em seu sangue.

4. Os batizandos
Escolhidos aqueles que receberão o batismo, examinar-se-á suas vidas: se viveram com dignidade durante o catecumenato, se honraram as viúvas, se visitaram os doentes, se praticaram apenas boas obras. Ouvirão o Evangelho se aqueles que os apresentaram testemunharem a seu favor, dizendo que assim agiram. Sejam impostas as mãos diariamente sobre eles a partir do momento em que foram separados e sejam, ao mesmo tempo, exorcizados. Aproximando-se o dia do batismo, o bispo exorcizará cada um deles, para saber se é puro. Se algum deles não for bom ou puro, será colocado à parte, pois não ouviu a Palavra com fé, já que não possível que o estranho se oculte para sempre. Sejam os batizandos instruídos para que se lavem e banhem no quinto dia da semana; se uma mulher estiver menstruada, será posta à parte e receberá o batismo num outro dia. Os que receberão o batismo jejuarão na véspera do sábado e, no sábado, serão todos reunidos num mesmo local designado pelo bispo. Serão ordenados todos aqueles que rezarem e se ajoelharem; impondo as mãos sobre eles, o bispo exorcizará todos os espíritos impuros, para que fujam e não retornem mais. Terminando o exorcismo, soprar-lhe-á em suas faces. Após marcá-los na fronte, nos ouvidos e narinas com o sinal da cruz, ele ordenará que se levantem. Então permanecerão vigilantes durante toda a noite: ler-se-á para eles e também serão instruídos. Os batizandos não devem ter nada em seu poder, exceto o que trouxeram para a eucaristia. O que se tornou digno deve participar do sacrifício na mesma hora.

5. O Batismo
Ao cantar do galo, rezar-se-á, primeiramente, sobre a água. Deve ser água corrente, na fonte ou caindo do alto, exceto em caso de necessidade; se a dificuldade persistir ou se tratar de caso de urgência, deve-se usar a água que encontrar. Os batizandos se despirão e serão batizadas, primeiro, as crianças. Todos os que puderem falar por si próprios, falem. Contudo, os pais ou alguém da família falem por aqueles que não puderem falar por si mesmos. Depois batizem-se os homens e, por último, as mulheres (que deverão estar de cabelos soltos e sem os enfeites de ouro e prata que levaram). Ninguém deve descer às águas portando objetos estranhos. No instante previsto para o batismo, o bispo renderá graças sobre o óleo que será posto em um vaso e será chamado de óleo de ação de graças. Tomará também um outro óleo que exorcizará e será denominado de óleo de exorcismo. Então o diácono trará o óleo de exorcismo e ficará à esquerda do presbítero; outro diácono pegará o óleo de ação de graças e ficará à direita do presbítero. Acolhendo cada um dos que recebem o batismo, manda renunciar, dizendo: ─ Renuncia a ti, Satanás, a todo teu serviço e a todas as tuas obras! Terminada a renúncia de cada um, ungirá com o óleo de exorcismo, dizendo-lhe: ─ Afaste-se de ti todo espírito impuro! E irá entregá-lo nu ao bispo ou ao presbítero que está junto da água, batizando. O diácono também descerá com ele e, ao chegar à água aquele que será batizado, aquele que batiza lhe inquirirá, impondo-lhe as mãos sobre ele: ─ Crês em Deus Pai todo-poderoso?. E aquele que é batizado, responda: ─ Creio! Imediatamente, com a mão pousada sobre a sua cabeça, batize-o uma vez, perguntando-lhe a seguir: ─ Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido do Espírito Santo e da Virgem Maria, que foi crucificado sob Pôncio Pilatos, morrendo e sendo sepultado e, vivo, ressurgiu dos mortos no terceiro dia, subindo aos céus e sentando-se à direita do Pai, donde julgará os vivos e os mortos? Quando responder: "Creio", será batizado pela segunda vez. E lhe perguntará uma vez mais: ─ Crês no Espírito Santo, na Santa Igreja e na ressurreição da carne? Responderá o que está sendo batizado: "Creio", e será batizado pela terceira vez. Depois de subir da água, será ungido com o óleo santificado pelo presbítero, que dirá: ─ Te unjo com o óleo santo em nome de Jesus Cristo. Após isto, cada um se enxugará e se vestirá, entrando, a seguir, na igreja.

6. A Confirmação
Impondo as mãos sobre eles, o bispo fará a invocação, dizendo: ─ Senhor Deus, que os tornaste dignos de merecer a remissão dos pecados pelo banho da regeneração, torna-os dignos de ser repletos do Espírito Santo! Lança sobre eles a tua Graça para que te sirvam conforme a tua Vontade, pois a ti são a glória, ao Pai, ao Filho e com o Espírito Santo na Santa Igreja, pelos séculos dos séculos. Amém. Após isto, derramará o óleo santo nas mãos e dirá, colocando as mãos sobre a cabeça de cada um, a seu turno: ─ Eu te unjo com o óleo santo, no Senhor Pai todo-poderoso e em Jesus Cristo e no Espírito Santo. Marcando-o na fronte com o sinal da cruz, oferecer-lhe-á o ósculo, dizendo: ─ O Senhor esteja contigo! O que foi marcado responderá: ─ E com o teu Espírito. Assim deve proceder com cada um. Em seguida, rezarão com todo o povo, não podendo rezar com os fiéis enquanto não atingirem tudo isso. Após a oração, oferecerão o ósculo da paz.

7. A Primeira Eucaristia
Os diáconos oferecerão o sacrifício ao bispo e este dará graças sobre o pão, como exemplo do Corpo de Cristo, e sobre o cálice do vinho preparado, para imagem do Sangue que foi derramado por amor de todos que creem nele. Fará o mesmo sobre o leite e o mel misturados, recordando a plenitude da promessa feita aos antepassados. Nessa promessa, Deus anunciou a "terra onde correm leite e mel". Por ela, Cristo ofereceu a sua Carne e, assim como crianças, se alimentam os que creem, tornando suave a amargura do coração pela docilidade da Palavra. Da mesma maneira, o bispo renderá graças sobre a água do sacrifício, como representação do batismo, para que o homem interior, isto é, a alma, obtenha os mesmos dons que o corpo. Todos esses fatos devem ser explicados pelo bispo a todos que recebem. Partindo o pão e distribuindo-o em pedaços, dirá: ─ O Pão Celestial em Jesus Cristo. E o que está recebendo responderá: ─ Amém. Se não forem suficientes os presbíteros, peguem os cálices também os diáconos e, com dignidade, coloquem-se em ordem: primeiro o que segura a água; em segundo, o que segura o leite; em terceiro, o que segura o vinho. Os que recebem provem de cada cálice e, aquele que dá, diga três vezes: ─ Em Deus Pai Todo-poderoso. Responda o que recebe: ─ Amém. [O que dá:] ─ E em Nosso Senhor Jesus Cristo. [O que recebe:] ─ Amém". [O que dá:] ─ E no Espírito Santo e na Santa Igreja. E responda: ─ Amém. Assim se procederá com cada um. Após a cerimônia, rapidamente pratiquem o bem, agradem a Deus, vivam corretamente, coloquem-se à disposição da Igreja, praticando o que aprenderam e progredindo na piedade. Isto, de maneira resumida, vos transmito sobre o santo batismo e o Santo Sacrifício, pois já fostes instruídos sobre a ressurreição da carne e tudo o demais, conforme está escrito. Se algo deve ser recordado, diga o bispo secretamente aos que tiverem recebido o batismo, para que os não fiéis não venham a conhecer antes de também receberem. Esta é a ficha branca aludida por João ao dizer: "Um novo nome foi escrito nela e ninguém o conhece a não ser aquele que a receberá".

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

35 - Hipólito de Roma - Tradição Apostólica - Parte 1 (1 a 11)

35
Estudo sobre os Pais da Igreja: Vida e Obra
Hipólito de Roma (160 - 235)
Obra: Tradição Apostólica
Parte I  (Capítulos 1 a 11).



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INTRODUÇÃO
Já tratamos de forma conveniente sobre os carismas, esses dons que Deus pôs à disposição dos homens desde o princípio, conforme Sua vontade, atraindo para Si a imagem que Dele se afastara. Agora, movidos pelo amor que devemos a todos os santos, atingimos o ponto máximo da tradição: o que diz respeito às igrejas. Todos, assim, bem instruídos, devem conservar a tradição que perdura até hoje e, conhecendo-a através de nossas palavras, devem permanecer absolutamente firmes, já que o ocorrido recentemente (heresia ou erro) foi motivado pela ignorância e também pelos ignorantes. Que o Espírito Santo conceda a graça perfeita àqueles que crêem na verdade ortodoxa, para que aqueles que lideram a Igreja possam saber como ensinar e preservar tudo de forma conveniente.

1. ESCOLHA E CONSAGRAÇÃO DOS BISPOS

Deve ser ordenado bispo aquele que tenha sido eleito incontestavelmente por todo o povo. Quando for chamado por seu nome e aceito por todos, reunir-se-ão, no domingo, todo o povo, o presbitério e os bispos. Então, após o consentimento de todos, os bispos imporão as mãos sobre ele e o presbitério permanecerá imóvel. Todos permanecerão em silêncio, orando no coração pela vinda do Espírito Santo. A seguir, um dos bispos, por consenso geral, imporá as mãos sobre o que está sendo ordenado e rezará, dizendo: "Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai da misericórdia e Deus de todo consolo, que habitas nas alturas e baixas o olhar para o humilde; tu, que sabes de todas as coisas antes de nascerem; tu, que deste as leis da tua Igreja pela palavra da graça, elegendo a raça dos justos de Abraão, desde o princípio, constituindo-os chefes e sacerdotes; tu, que não deixaste teu santuário sem administração; tu, que desde o princípio dos séculos, te agradas em ser glorificado por estes que elegeste, derrama neste momento a força que sai de ti, o Espírito de liderança que deste ao teu querido Filho, Jesus Cristo, e que Ele concedeu aos santos apóstolos, de forma que constituíram a tua Igreja por toda a parte, o teu Templo, para louvor e glória eterna do teu nome. Pai, que conheces os corações, permita a este teu servo que escolheste para o episcopado, apascentar o teu rebanho santo, desempenhando o primado do sacerdócio de forma irrepreensível perante ti, servindo-te noite e dia. Concede-lhe tornar propícia a tua imagem, incessantemente, oferecendo os sacrifícios da tua Santa Igreja e, com um espírito de superior sacerdócio, possuir o dom de perdoar os pecados conforme a tua ordem, distribuir os cargos [eclesiásticos] segundo o teu preceito, desatar quaisquer laços conforme o poder que deste aos apóstolos e ser do teu agrado, pela mansidão e pureza de coração, para que te ofereça um perfume agradável, por teu Filho, Jesus Cristo, pelo qual te damos glória, poder e honra, ao Pai, ao Filho e com o Espírito Santo na Santa Igreja, agora e pelos séculos dos séculos. Amém".

2. ORAÇÃO EUCARÍSTICA

Assim que se tenha tornado bispo, todos ofereçam-lhe o ósculo da paz, saudando-o por tornar-se digno. Os diáconos, então, oferecer-lhe-ão o sacrifício e ele, após impor suas mãos [sobre o sacrifício] dará graças, juntamente com todo o presbitério, dizendo: "O Senhor esteja convosco". Todos responderão: "E com o teu espírito". [Dirá:] "Corações ao alto". [Responderão:] "Já os oferecemos ao Senhor". [Dirá:] "Demos graças ao Senhor". [Responderão:] "Pois é digno e justo". Em seguida, prosseguirá: "Nós te damos graças, ó Deus, por teu Filho querido, Jesus Cristo, que nos enviaste nos últimos tempos, [Ele que é nosso] Salvador e Redentor, porta-voz da tua vontade, teu Verbo inseparável, por meio de quem fizeste todas as coisas e, por ser do teu agrado, enviaste do céu ao seio de uma Virgem; aí presente, cresceu e revelou-se teu Filho, nascido do Espírito Santo e da Virgem. Cumprindo a tua vontade, obtendo para ti um povo santo, ergueu as mãos enquanto sofria para salvar do sofrimento todos aqueles que em ti confiaram. Se entregou voluntariamente à Paixão para destruir a morte, quebrar as cadeias do demônio, esmagar o poder do mal, iluminar os justos, estabelecer a Lei e trazer à luz a ressurreição. [Ele] tomou o pão e deu graças a ti, dizendo: 'Tomai e comei: isto é o meu Corpo que será destruído por vossa causa'. [Depois,] tomou igualmente o cálice e disse: 'isto é o meu sangue, que será derramado por vossa causa. Quando fizerdes isto, fá-lo-eis em minha memória'. Por isso, lembramos de sua morte e ressurreição e oferecemos-te o pão e o cálice, dando-te graças por nos considerardes dignos de estarmos na tua presença e de te servir. E pedimos: envie o teu Espírito Santo ao sacrifício da Santa Igreja, reunindo todos os fiéis que receberem a eucaristia num só rebanho, na plenitude do Espírito Santo, para fortalecer nossa fé na verdade. Concede que te louvemos e glorifiquemos, por teu Filho, Jesus Cristo, pelo qual te damos glória, poder e honra, ao Pai, ao Filho e com o Espírito Santo na tua Santa Igreja, agora e pelos séculos dos séculos. Amém".

3. BENÇÃO DO AZEITE, QUEIJO E AZEITONAS

Se alguém oferecer azeite, consagre-o como se consagrou o pão e o vinho, não com as mesmas palavras, mas com o mesmo Espírito. Dê graças, dizendo: "Assim como por este óleo santificado ungiste reis, sacerdotes e profetas, concede também, ó Deus, a santidade àqueles que com ele são ungidos e aos que o recebem, proporcionando consolo aos que o experimentam e saúde aos que dele necessitam". Do mesmo modo, se alguém oferecer queijo e azeitonas, diga: "Abençoa este leite coalhado, unindo-nos à tua caridade. Concede, ainda, que este fruto da oliveira não se afaste da tua doçura por ser um exemplo da abundância que tiraste da árvore para a vida dos que em ti esperam". E, a cada bênção, diga: "Gloria a ti, ao Pai, ao Filho e com o Espírito Santo na Santa Igreja, agora e pelos séculos dos séculos. Amém".

4.ORDENAÇÃO DOS PRESBÍTEROS

Ao se ordenar um presbítero, o bispo (e os demais presbíteros) impõe-lhe as mãos sobre sua cabeça e, como citamos acima, rezará dizendo: "Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo: baixa o olhar sobre este teu servo e transmite a ele o Espírito da graça e do conselho do presbitério, para que ele possa ajudar e governar o teu povo com o coração puro, da mesma forma como baixaste o olhar sobre o teu povo escolhido e ordenaste a Moisés que selecionasse anciãos, nos quais derramaste o Espírito que tinhas dado ao teu servo. E agora, Senhor, dissipando-nos o Espírito da tua graça, conserva-o eternamente em nós e torna-nos dignos de te servir com simplicidade de coração e de te louvar por teu Filho, Jesus Cristo, pelo qual te damos glória, poder e honra, ao Pai, ao Filho e com o Espírito Santo na Santa Igreja, agora e pelos séculos dos séculos. Amém".

5. ORDENAÇÃO DOS DIÁCONOS

Seja o diácono eleito conforme acima referido e ordenado impondo-lhe as mãos apenas do bispo, como prescrevemos. Somente o bispo impõe-lhe as mãos porque o diácono não está sendo ordenado para o sacerdócio, mas apenas para se por à serviço do bispo, para executar o que este lhe ordenar. Ele não participa do conselho clerical, mas cuida da administração, informando ao bispo tudo o que for necessário. Não recebe o Espírito comum do presbitério, do qual participam os presbíteros, mas o que lhe é confiado pelo poder do bispo, razão pela qual somente o bispo ordena o diácono. Porém, na ordenação do presbítero, também os presbíteros imponham as mãos, em virtude do Espírito comum e semelhante do seu cargo: estes, por terem apenas o poder de receber, mas não o de comunicar o Espírito, não ordenam os clérigos mas, na ordenação do presbítero, imponham as mãos enquanto o bispo ordenar. Sobre o diácono, diga [o bispo]: "Ó Deus, que criaste todas as coisas e as ordenaste pelo Verbo, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que enviaste para cumprir a tua vontade e para nos revelar o teu desejo, concede a este servo, que escolheste para servir a tua Igreja, o Espírito Santo da graça, do cuidado e do trabalho, para apresentar em santidade, no teu Santuário, o que te for oferecido pelo herdeiro do sumo sacerdote, para a glória do teu nome, e também para que, exercendo de forma irrepreensível e de coração puro o seu ministério, alcance um grau superior para te louvar e glorificar por teu Filho, Jesus Cristo Nosso Senhor, pelo qual te damos glória, poder e honra, ao Pai, ao Filho e com o Espírito Santo na Santa Igreja, agora e pelos séculos dos séculos. Amém".

6. OS CONFESSORES

Não se deve impor as mãos sobre um confessor candidato ao diaconato ou presbiterato se este já tiver sido preso por causa do nome do Senhor. Na realidade, a dignidade de presbítero é igual à honra da sua confissão. Porém, ser-lhe-ão impostas as mãos se for ordenado bispo. Contudo, se o confessor não tiver sido levado à frente do magistrado, nem posto a ferros, nem aprisionado, nem condenado a uma outra pena, mas apenas desprezado por causa do nome do Senhor e castigado de forma branda, deve-se impor as mãos sobre ele para qualquer função que lhe seja digno. Que o bispo dê graças, tal como mencionamos. Porém, não é necessário que, dando graças, se utilize das mesmas palavras que mencionamos, como se o fizesse de memória; pelo contrário, reze cada um segundo suas possibilidades. Se alguém tiver capacidade de rezar uma oração mais longa ou mais solene, melhor; contudo, se outro proferir uma oração mais simples, deixai-o pois o correto é rezar de acordo com a ortodoxia.

7. AS VIÚVAS

Uma viúva, ao ser instituída, não é ordenada, mas eleita pela simples inscrição do nome. Se o seu marido já morreu há muito tempo, seja instituída; contudo, se o seu marido não morreu há muito tempo, não se confie nela; mas se for velha, seja experimentada por algum tempo porque, muitas vezes, as paixões envelhecem com o que as abriga no seu seio. Seja, portanto, a viúva instituída pela palavra e que se junte às demais. Não serão impostas as mãos sobre ela pois não oferece o sacrifício, nem exerce a liturgia. A ordenação é para o clero, por causa da liturgia; a viúva é instituída para a oração, que pertence a todos.

8. OS LEITORES

O leitor é instituído no momento em que o bispo lhe entrega o Livro. Sobre ele também não são impostas as mãos.

9. AS VIRGENS

Não serão impostas as mãos sobre a virgem, pois bastará sua decisão para fazer dela uma virgem.

10. OS SUBDIÁCONOS

Também não serão impostas as mãos sobre o subdiácono. Ele será nomeado para seguir o diácono.

11. O DOM DA CURA

Se alguém disser que recebeu o dom da cura por revelação, não serão impostas as mãos sobre ele: os fatos demonstrarão se está dizendo a verdade.

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Palestras do IX Retiro de Espiritualidade e Contemplação da OESI - 2017

A Transfiguração do Senhor

IX Retiro de Contemplação e Espiritualidade
OESI – Ordem Evangélica dos Servos Intercessores
24,25 e 26 de novembro de 2017
Local: Casa de Retiro Madre Regina - Petrópolis - RJ
Diretor/facilitador: irmão Edson Cortasio Sardinha


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19:30 horas - Sexta-feira
Transfiguração: Cesaréia, o Monte e o Vale
Orlando Lima Junior



Na sua carta aos Filipenses Paulo faz a seguinte declaração: " Apesar de ele [Jesus] viver na forma de Deus [nos Céus], não considerou a igualdade com Deus algo a ser mantido pela força [violência]. Ao contrário, esvaziou a si mesmo, ao assumir a forma de um escravo, tornando-se como os seres humanos são. E, quando ele surgiu como um ser humano, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte - morte na estaca como um criminoso! " (Fl. 2:6-8. BJC).
            As palavras de Paulo nos revelam que quando Jesus veio a este mundo pela primeira vez, ele tomou a forma humana completa menos em relação ao pecado, algo toalmente ausente nele até o seu sacrificio na cruz em nosso favor. (Is. 53:4,5).
             Uma leitura simples dos Evangelhos  Sinópticos (Mateus, Marcos e  Lucas), mostra-nos o modo favorito de Jesus  fazer referência a si mesmo  usando a expressão Filho do Homem. "Os Evangelhos o colocam nos lábios de Jesus mais de sessenta e cinco vezes.". "Jesus Cristo é o Filho do Homem por ser participante da humanidade,  o homem representativo de toda a raça humana, mas sem pecado."
            O Evangelho de João também faz a seguinte declaração acerca de Jesus: "E o Verbo se fez carne [tornou-se um ser humano] e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade." (João 1:14).
             Os textos acima comprovam que através da pessoa e missão de Jesus O Reino de Deus entrou neste mundo. O próprio Rei da Glória veio a terra, nasceu, viveu, morreu e ressuscitou, mas não se deixou ser reconhecido como tal enquanto aqui esteve, pelo contrário esvaziou-se da sua glória e escondeu a sua verdadeira identidade dentro do seu próprio espírito, a fim de que esta não se colocasse acima do  propósito da sua primeira vinda, cujo o objetivo, não era reinar no sentido mais amplo da palavra, porém sofrer e morrer para nos redimir de todos os nossos pecados.
             Por este motivo, segundo os Evangelhos, a transfiguração, foi a única ocasião durante o seu ministério que Cristo revelou sua glória na terra, mesmo assim não a todos, mas somente a um estreito círculo de discípulos  - Pedro, Tiago e João . Cada um dos evangelhos sinóticos ( Mateus, Marcos e Lucas), narram essa experiência extraordinária, ocorrida no alto do grande Monte Tabor.

Podemos dividir o acontecimento da transfiguração em três importantes períodos: Antes, durante e depois da transfiguração.  Analisemos abaixo mais detalhadamente cada um desses períodos:                            

I- O PERÍODO EM CESARÉIA DE FILIPOS
              Um segredo ja foi definido por alguém como "algo que contamos a uma pessoa de cada vez." Durante o ministério de Jesus na terra houve  ocasiões especiais onde ele compartilhou alguns segredos com seus discípulos. Uma dessas ocasiões foi em Cesaréia de Filipos e a outra foi no monte, o Monte Tabor (segundo a tradição do II século), o monte da transfiguração. Nós cristãos da atualidade, precisamos compreender e aplicar esses segredos espírituais ali revelados por Jesus, a fim de nos tornarmos  cada vez mais  as pessoas que Deus quer que sejamos.

1. O SOFRIMENTO CONDUZ A GLÓRIA.
Uma semana antes de Jesus revelar-se a Pedro, Tiago e João de uma forma jamais vista, ele primeiro teve uma reunião em particular apenas com a presença de seus discipulos com os quais pretendia revelar o que aconteceria com ele em Jerusalém.  Jesus ja dera algumas pistas ao longo do caminho, mas agora pretendia falar abertamente com todos eles acerca do seu sofrimento e morte na capital de Israel, Jerusalém. Como local para isso escolheu Cesaréia de Filipe, uma cidade cerca de 40 quilômetros ao norte de Betsaída, construida aos pés do Monte Hermon. O nome da cidade vem de Cesar Augusto e de Herodes Filipe, e nela havia um templo de marmore consagrado a Augusto. Era um lugar dedicado a glória de Roma, glória esta que ja não existe; mas a Glória de Jesus Cristo permanece e se estenderá por toda a eternidade.
             A primeira coisa que Jesus fez ao iniciar aquela reunião em Cesaréia, foi interrogar aos seus discípulos acerca do que as pessoas andavam pensando ao seu respeito e logo em seguida os perguntou o que eles mesmos pensavam acerca de seu Senhor."Interrogou seus discípulos, dizendo: Que dizem os homens ser o Filho do Homem? E eles lhe disseram: Uns, João Batista; outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas. E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que esta nos céus." (Mateus 16:13-17).
            Através de uma revelação no seu interior dada pelo Pai, Pedro declara pela fé que Jesus é o Cristo. A sua confissão foi ousada e inflexivel, como deve ser também a nossa profissão de fé. A designação Cristo significa "O Ungido de Deus, o Messias prometido", "O Rei Ungido". Sacerdotes, Profetas e Reis eram ungidos com óleo ao serem escolhidos para os cargos, e Jesus exerceu de uma só vez esses três oficios pela unção do Espírito Santo.
            Como já dissemos anteriormente, esta declaração foi feita pela fé naquilo que Pedro ouviu no seu espírito pelo Espírito Santo, ou seja, não havia nenhuma comprovação visivel desde o nascimento de Jesus até aquele  momento que Jesus era realmente quem ele dizia ser, mas Pedro creu naquilo que lhe foi dito pelo Pai em segredo, e no momento certo declarou como O Pai havia lhe revelado. (2Cor.4:13). Esta declaração de fé baseada naquilo que o próprio Deus lhe contou, rendeu a Pedro não só o reconhecimento e as honras dadas por Jesus  (Mateus 16:17-19), mas também sete dias mais tarde, o  privilégio de ver com seus próprios olhos aquilo que ele havia declarado pela fé com a sua boca na Palavra de Deus. (Rm 8:24,25).
             Logo após esta afirmação feita por Pedro, Jesus pediu aos seus discípolus que guardassem segredo a seu respeito. Isso porque os discípulos ainda tinham muito o que aprender sobre Ele e sobre o que significa seguir o Senhor. Os lideres religiosos de Israel já haviam formado seus próprios conceitos sobre Jesus, e declara-lo publicamente como Messias não fazia parte do plano de Deus. O povo em geral queria ver Jesus realizar milagres, mas não se mostrava tão interessado em suas menssagens, algo que ainda acontece em nossos dias. Anuncia-lo como Messias poderia muito bem resultar numa revolta política prejudicial a todos.
            Geroge Eldon Ladd em seu livro Teologia do Novo Testamento, também afirma que " o reconhecimento que Pedro fez da messianidade de Jesus marcam um ponto que se constitui em uma nova direção da auto-revelação de Jesus aos seus discípulos. Depois do evento em Cesaréia de Filipe, são introduzidas duas novas notas: O Filho do Homem deve sofrer e morrer, mas posteriormente ele viria como o Filho do Homem escatológico, para julgar e governar no Reino de Deus escatológico."
             "Mas a idéia de que O Filho do Homem Celestial deveria primariamente viver como um homem entre os homens e submeter-se ao sofrimento e morte foi uma idéia completamente nova para seus discípulos"²  (ibdem pg.148)
            Esta nova idéia de sofrimento e morte introduzida por Jesus ao seu ministério antes da sua glorificação, causou grande repúdio e pavor entre os discípulos, como sabemos muitos o abandonaram depois que esta nota foi introduzida permanentemente ao seu ministério. Pedro, não o abondonou, assim como os onze, porém passou a repreender  publicamente o seu Senhor por tais declarações assustadoras. O protesto de Pedro nasceu de sua ignorância quanto a vontade de Deus e de seu profundo amor pelo Senhor. Num minuto Pedro mostrou-se uma "rocha", logo em seguida uma pedra de tropeço! Nas palavras de G.Campbell Morgan: " O homem que ama a Jesus, mas se afasta dos metodos de Deus trabalhar, é uma pedra de tropeço para o Senhor." Pedro ainda não tinha compreendido a relação entre sofrimento e glória. No devido tempo aprenderia essa difícil lição, e lhe daria grande ênfase em sua primeira epístola (1Pe 1:6-8;4:13 - 5:10).
            Convém observar, porém que, ao repreender Pedro, Jesus também "fitou" seus discípulos, pois concordavam com as palavras de Pedro! Imbuídos da tradição judaica de interpretação, foram incapazes de entender o porque, seu messias iria sofrer e morrer. Por certo, alguns dos profetas escreveram sobre o sofrimento do Messias, mas as Escrituras  ressaltavam muito mais a glória do Messias. Não é de se admirar que os discípulos estivessem confusos com o discurso do Salvador.
             No entanto o problema vai muito além dos aspectos teológicos no coração e na mente daqueles discípulos. tratava de questões práticas, Jesus chamara aqueles homens para segui-lo, e eles sabiam que tudo o que acontecesse ao Mestre também aconteceria a eles. Se havia uma cruz no futuro de Jesus, também haveria sofrimento para eles. Como mostra a tradição, Pedro morreu mais tarde também em uma cruz, e só isso já era motivo suficiente para discordar do Mestre! apesar de sua devoção a Jesus, os discípulos continuavam ignorando a verdadeira relação entre a cruz e a coroa. Seguiam a filosofia de Satanás (glória sem sofrimento) em vez da filosofia de Deus (sofrimento transformado em glória). A filosofia que se escolhe determina a forma de viver e de servir.
            O verdadeiro discípulo recebe alguma recompensa? Sim. Faz com que aquele (a) que crê se torne cada vez mais semelhante a Cristo e, um dia, compartilhe completamente de sua glória. Satanás promete glória, mas no final o que se recebe é apenas sofrimento. Deus promete sofrimento, mas por fim esse sofrimento será transformado em glória. Quem reconhece a Cristo e vive para Ele  também será reconhecido por Ele  e compartilhará da sua glória.  (Rm. 8:18)
            As ultimas palavras ditas por Jesus na reunião de Cesárea de Filipos  foram: "E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus." (Lc. 9:27)
   
II - O MONTE DA TRANFIGURAÇÃO
            O Evangelho de Lucas nos diz " que, quase oito dias depois dessas palavras, Jesus, tomou consigo a Pedro, a João e a Tiago e subiu ao monte a orar." (Lc. 9:28)  O "clima" entre os discípulos e Jesus naqules dias que antecederam aquela subida,  deveriam  estar tensos. Os discípulos que antes estavam confiantes,  alegres e esperançosos quanto ao futuro de que Jesus logo reinaria sobre a nação de  Israel e os colocaria em posições de honra no seu governo  agora encontrava-se  bastante sombrio. As palavras de Tomé, quando Jesus decidiu ir a Judéia com a intensão de  ressuscitar a Lázaro expressam bem esta nova realidade entre eles. (Jo.11:16)
            Apesar de tudo isto estar ocorrendo, os doze continuavam a seguir a Jesus, certamente não por vontade própria apenas, mas porque O Pai assim os levava. Deus nos bastidores continuava a conduzir  a vida dos discípulos que Ele escolheu na direção certa independente das dúvidas, medos e frustrações que eles enfrentavam e o mesmo ele faz em nós hoje.
Ali em cima, Jesus apresentou uma prova maravilhosa e irrefutável  de que Deus de fato, transforma o sofrimento em glória (em seus "oito dias", Lucas inclui o dia da lição e também o dia da glória - Lc 9:28).Como ja dissemos, Jesus levou Pedro, Tiago e João para um alto monte e lá revelou a eles sua glória. A mensagem aqui é clara: Primeiro o  sofrimento , e depois a glória.
            As palavras de Jesus em Lucas 9:27 indicam que esse acontecimento foi uma demonstração (ou ilustração) do Reino de Deus prometido. Parece lógico, uma vez que os discípulos estavam confusos em relação ao Reino de Deus  por causa das palavras de Jesus acerca da cruz. (Não devemos julga-los com severidade, pois os profetas também ficaram perpeplexos - 1 Pe 1:10-12) Jesus lhes garantiu que as profecias do Antigo Testamento se cumpririam, mas, antes de entrar na glória era preciso que ele sofresse (2Pe 1:12-21).
            No relato de Lucas sobre a teansfiguração, "Lucas não usa o termo transfigurar, mas descreve a mesma cena de Mateus 17:2 e Marcos 9:2. O Termo significa "uma mudança de aparência que ocorre de dentro para fora" ( o oposto de "mascara" - uma mudança exterior sem qualquer origem interior), o radical grego de transfigurar, da origem a nossa palavra metamorfose."
            Note, que Lucas declara que a transfiguração do Senhor  aconteceu enquanto ele orava, ou seja, em um momento de intimidade com O Pai através da oração.  Estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e as suas vestes ficaram brancas e mui resplandescentes." (Lucas 9:29). A transfiguração segundo a narrativa de Lucas não foi algo instantâneo, mas  progressivo, a medida que  O  Senhor orava. Isso nos  dá a entender, que quanto mais Jesus se aproximava da vida interior oculta nas profundezas do Seu Espírito, mais esta aproximação  de si mesmo e da sua glória oculta aos homens, se tornavam visiveis pela graça de Deus aos olhos dos seus discipulos que ali estavam.
            Jesus permitiu também que sua glória irradiasse por meio de todo o seu ser, e o topo da montanha, transformou-se naquele instante no Santo dos santos celestial, assim como era  em seu interior! Observamos nas Escrituras Sagradas, que uma vida espiritual ativa de comunhão intima com O Pai, O Filho e O Espírito Santo, tem em  si  a capacidade de transformar  e santificar não só aquele que busca, mas o ambiente onde este se encontra. Somos nós que transformamos o lugar através daquilo que trazemos em nossos corações. (Salmo 57:1-11; 84:6; At.16:25-26; Gl.5:25).
Ao meditarmos sobre este grande acontecimento, devemos lembrar que Jesus compartilhou essa mesma glória conosco,através do seu Espírito Santo que em nós habita. Moisés no Antido Testamento, e nenhum dos que viveram no Antiga Aliança, gozaram do mesmo privilégio que nós Povo da Nova Aliança adquirimos pela fé em Cristo Jesus. O rosto de Moisés somente resplandeceu por algum tempo devido ao fato de ele ter estado diante do Senhor no Sinai (Ex.34:29,30,33-35), ou seja, sua glória se deu devido a um encontro transitório e externo com Deus. No  Novo Israel de Deus, a metamorfose se dá progressivamente, devido a uma vida interior de comunhão e celebração constantes com O Pai que  agora habita dentro de nós os salvos em Cristo Jesus. (Rm.12:2;14:17; 2Co3:12-18)

1- A TRANSFIGURAÇÃO NAS VIDAS DE MOISÉS E ELIAS
            O surgimento de Moisés e de Elias próximos a Jesus naquele instante de glória, foi bastante significativo, pois Moisés representava através da sua pessoa a Lei e Elias os Profetas; e Jesus que veio cumprir a ambos a Lei e os profetas (Lc 24:25-27;Hb1:1,2), porém o grande assunto ali em questão naquele instante era A "partida" de Jesus, que se daria em Jerusalém. Moisés havia guiado o povo para fora da escravidão do Egito, e Elias os havia livrado da escravidão dos falsos deuses; mas Jesus estava prestes a morrer para livrar um mundo pecador da esvravidão do pecado e da morte. (Gl 1:4; Cl1:13; Hb2:14,15).
            É relevante destacarmos  aqui, que em Mateus 17:9 Jesus diz aos seus discípulos que a ninguém contassem "a visão", esta pequena palavra desfaz qualquer base de apoio a doutrina da reencarnação como alguns a querem afirmar.
            Moisés morrerá,  e seu corpo fora sepultado, mas Elias havia sido arrebatado (2Re 2:11). Quando Jesus voltar, ressuscitará o corpo dos santos que morreram nele e arrebatará os santos que vivem nele. (1Ts 4:13-18).
            É muito signicativo a forma que a Bíblia Judaica Completa (BJC) narra a aparição e o propósito  de Moisés e Elias junto a Jesus na transfiguração, diz o texto: "Eles apareceram em um esplendor glorioso e falavam sobre seu êxodo, que deveria ser cumprido brevemente em Yerushalayim.".  (Lc 9:31). Em muitas versões biblicas em português, diz que eles falavam acerca de sua morte que deveria se cumprir  em breve em Jerusalém, mas a BJC  faz uma substituição  de vocábulo muito  interessante, em vez de morte, ela diz êxodo (grego=saída), ou seja, o sofrimento e morte  de Jesus em Jerusalém, na realidade seria  a forma de sua saída, libertação deste mundo juntamente conosco que Nele cremos para a plena liberdade e vida eterna em Jesus. (Cl.2:12).
             A palavra êxodo,  quando é retirada do Antigo Pacto para o Novo feito em Cristo Jesus,  faz também com que este momento de grande sofrimento, medo e tristeza o qual todos nós estamos sujeitos a passar por ele,  ganhe um novo significado para todos aqueles que acreditam no  Senhor Jesus Cristo,  e se torne um momento não só de sofrimento e de dor, mas também de fé, de paz em Cristo e  de esperança na presença de Deus. (Hb.12:2). As ultimas  palavras  Jonh Wesley, pai do Metodismo, em seu êxodo para o Céu expressam bem o que queremos dizer. "O melhor de tudo é que Deus esta conosco."

2- A TRANDFIGURAÇÃO NA VIDA DE PEDRO, TIAGO E JOÃO
            Enquanto todos estes acontecimentos ocorriam os três discípulos dormiam (Lc 9:32), falha que repetiriam no jardim do Getsêmani (Mc 14:32-42), por pouco não perderam a oportunidade de ver Moisés e Elias com Jesus em sua glória! A sugestão de Pedro reflete, mais uma vez, o pensamento humano, não a sabedoria divina (Lc 9:33). Como seria maravilhoso permanecer bem no alto do monte e desfrutar da sua gloria, no entanto como sabemos este desejo é impossivel de ser realizado aqui. O discípulado significa negar-se a si mesmo, pegar a cruz e seguir ao Senhor. É impossivel fazer isso e, ao mesmo tempo, desejar egoisticamente permanecer deitado no monte da glória, pois existe necessidades a serem supridas por nós no vale logo abaixo. Quem deseja compartilhar da glória de Cristo no monte, deve estar disposto a segui-lo também nas adversidades e sofrimentos do vale.
            O Pai interrompeu o discurso de Pedro envolvendo a maravilhosa cena numa nuvem de glória e mudou o foco dos discípulos da visão de glória para as Palavras de Jesus: "a ele ouvi" (Lc 9:34,35). É uma oração imperativa, ou seja, uma ordem que deve ser cumprida diligentemente por todos os soldados de Cristo em todas as gerações, afim de agradar aquele que os alistou para a guerra. (2Tm2:4) A memória da visão se dissiparia, porém o caráter imutável da Palavra permaneceria para sempre. A visão da glória não era um fim em si, mas a forma de Deus confirmar sua Palavra (2 Pe 1:12-21). O discipulado não é construido sobre visões ou milagres espetaculares, mas sobre a Palavra inspirada de Deus. Tambem não devemos colocar Moisés e Elias no mesmo nível como Pedro fez. É "somente Jesus" : Sua Palavra,sua vontade, seu Reino e sua Glória.Quando a nuvem se foi, Moisés e Elias também não estavam mais lá, apenas Jesus e os seus três discípulos.

III - O RETORNO AO VALE
            Jesus não permitiu que Pedro, Tiago e João contassem aos outros nove o que havia se passado no monte, esse foi o motivo do seu silêncio ao voltarem para casa (Mc 9: 9,10; Lc 9:36). Certamente, a revelação e  explicação desse acontecimento depois da ressurreição de Jesus serviu de grande encorajamento para os cristãos que sofreriam e entregariam a vida por amor ao seu Senhor. Mas os três ainda estavam perplexos. Haviam aprendido que Elias viria primeiro em preparação a fundação do Reino. A presença de Elias no monte seria o cumprimento dessa profecia? (Ml 4:5,6).
            Jesus responde essa pergunta de duas maneiras. Sim, Elias viria conforme profetizado em Malaquias 4:5,6, mas, em termos espirituais, Elias já havia vindo na pessoa de João Batista  (Mt 11:10-15; Lc 1:17). A nação permitiu que João fosse decapitado e pediria que Jesus fosse  morto na cruz. Apesar de tudo que os líderes perversos fariam, Deus ainda assim realizaria seu grande plano de salvação.
            A vida cristã é uma "terra de montes e de vales" (Dt 11:11). Num único dia um discípulo de Jesus pode ir da glória do céu aos ataques do inferno na terra. Quando Jesus e os três discípulos voltaram para junto dos outros encontraram-nos envolvidos com dois problemas: foram incapazes de libertar um garoto possesso e se viram discutindo com os escribas, que provavelmente zombavam muito deles por causa desse insucesso. Como sempre, Jesus entrou em cena para resolver o problema.
A lição principal desse milagre é o poder da fé para vencer o inimigo (Mc. 9:19,23,24; ver Mt.17:20) Por que os nove discípulos falharam enquanto Jesus estava ausente? Porque negligenciaram sua vida espiritual e a pratica da oração e do jejum (Mc 9:29). A autoridade que Jesus havia lhes dado era eficaz somente quando exercida pela fé, mas a fé deve ser cultivada por meio da devoção e das disciplinas espirituais. É possível que a ausência do Senhor, tenha diminuído seu fervor espiritual e sua fé. Esse insucesso não apenas os envergonhou, como também tirou a glória do Senhor e deu ao inimigo uma  oportunidade de criticar. É a nossa fé em Cristo e a nossa devoção a Ele que glorifica o Senhor (Rm 4:20-25). Novamente O Senhor se envolve  no problema e concede a cura e a libertação do jovem. (Lc. 9:41,42)

CONCLUSÃO
O Senhor sempre da algum tipo de sinal,  de garantia com relação as suas palavras e promessas feitas a aqueles que o seguem.  Quando Ele fez aliança com Abrãao, como não tinha ninguém que pudesse garantir seu dito jurou por si mesmo e fez passar um fogo pelo meio do sacrificio de Abraão. (Gn.15:17,18).
             A Tranfiguração era também uma garantia aos discípulos de que Deus cumpriria sua promessa, da mesma forma que  O Espírito Santo o é na vida dos cristãos do Novo Testamento. O Espírito Santo é a nossa maior  garantia dada pelo Senhor Jesus da  nossa glória futura no Reino dos Céus. (2Co 1:22; 5:5; Ef 1:13,14). É importante frizar que embora os sinais e as revelações especiais dadas por Deus sejam importantantes em nossas vidas, tais experiências jamais devem substituir as Palavras de Jesus em nossos corações, como o próprio Pai já nos advertiu: "Este é o meu Filho amado; a ele ouvi." (Lc 9:35)
Atualmente muitas pessoas e denominações tem se levantado e também caido, pois estão  baseadas apenas no desejo e nas experiências pessoais de uma pessoa ou de um grupo e não na genuina Palavra de Deus. Não podemos de forma alguma desconsiderar ou anular a importância das revelações e sinais, mas também não podemos coloca-las como unicas e principais  alicerces de nossa fé e acima da Palavra de Deus e também  da orientação já  dadas  por Ele a nós. Essas revelações devem ser confirmadas pelo próprio Espírito Santo em nós e pela analise da própria Palavra de Deus, devem se  encaixar, somar com aquilo que já temos recebido do Senhor, caso contrario devem ser desconsideradas e descartadas.
Notemos também a presença marcante do número sete antes e durante a transfiguração. Os evangelhos de Mateus Marcos e Lucas concordam entre si, apesar de o número de dias variar de um para o outro, a transfiguração ocorreu sete dias após o  discurso de Jesus em Cesaréa e se observamos a quantidade de pessoas presentes na transfiguração, incluindo o próprio Deus veremos que havia um total de sete. O número "sete" no hebraico, significa o mesmo que jurar, "garantir", tambem tem um sentido de perfeição, totalidade, a consciência, a intuição, a espiritualidade e a vontade. Sete é o numero de Deus, da plenitude, da completude, da manifestação do que Deus é da sua glória. O sete simboliza também o fim de um ciclo e o inicio de outro. A semana tem 7 dias, o que tem um significado muito importante, pois quando se chega ao sétimo dia, voltamos ao primeiro e todas as vezes que o sete se “manifesta” indica o fim de um tempo e o início de outro. É como o virar de uma página. A transfiguração de Jesus marca também o fim de um ciclo em seu ministério e o começo de outro, e o fim desse ciclo termina com glória e marca o começo do outro que apesar de ser de sofrimento e de morte para Jesus, marcará o começo de outro majestoso com a ressurreição do Senhor dentre os mortos.

             A transfiguração mostra-nos que toda a transformação real na vida do ser humano ocorre de dentro para fora e jamais ao contrario. O texto de  Gary R. Collins falando sobre a paz nas relações interpessoais corrobora bastante para esta afirmação: "Quando o interior das pessoas muda, surge uma mudança em seu comportamento exterior. Para que exista a verdadeira paz, é preciso que haja também paz no coração, do individuo. Segue-se então a paz entre as pessoas.Tanto a paz interna como a interpessoal devem ser precedidas de uma entrega a Cristo que é seguida de crescimento espiritual. Este crescimento surge quando os indivíduos e grupos adoram juntos, oram e meditam na Palavra de Deus."  O apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos capítulo 12: 1,2 pede com grande insistência aos discípulos de Cristo, que deixem Deus transformar completamente suas mentes, para que assim possam conhecer plenamente a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a Ele.
            O que fica bem claro, através de tudo o que temos visto e ouvido até aqui é que a experiência da transfiguração, ou seja, da metamorfose - interior exterior, começa a acontecer na vida do cristão na medida que este se entrega sem reservas a vontade do Pai, ainda que isso venha a acarretar para ele em perdas pessoais, sofrimento e até mesmo a morte. Sem uma entrega total  a cada dia das nossas vidas a Jesus, e a sua vontade já explicitada na sua Palavra, não há como experimentar em plenitude da glória de Deus e isso é algo imutável.
Ao encerrar esta palestra quero dizer a todos o seguinte: ame sua cruz, aceite-a, entregue-se a ela, dedique-se a ela, como uma dádiva de Deus, pois é esta cruz que lhe conduzira a glória eterna de Deus. Não existe como ver a glória de Deus sem passar pela dor e o sofrimento e é isto que O Filho do Homem também queria mostrar a aqueles que estavam lá em cima no monte com Ele. Se queremos ver e experimentar a  glória dos Céus em nossas vidas necessário se faz que cada um de nós passemos pela Via Dolorosa e até mesmo o Calvário antes. No entanto passemos sem nunca esquecer, que logo após a isto tudo, existe uma glória divina logo ali nos esperando  em Cristo. (Hb.12:2)

"Sejam pacientes diante de todo sofrimento; se o amor por Deus é puro, não irão procurá-Lo menos no calvário do que no Tabor; certamente Ele deve ser mais amado nos momentos difíceis do que em outros, já que foi no Calvário que deu a maior demonstração de amor."                                                                                                                  
Madame Guyon

NOTAS BIBLIOGRAFICAS
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal 1. ed. Revista e Corrigida. Deerfield, Florida - EUA : Editora CPAD, 1995. 2.190p.
STERN, David H. Bíblia Judaica Completa 1. ed. São Paulo: Editora Vida, 2010. 1.630p.
TURNER, Donaldo D. Introdução ao Novo Testamento 1. ed.São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1987. 370p.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento: vol.1. 1. ed. São Paulo: Geográfica Editora, 2006. 952p.
LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento 2. ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1985. 584p.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento: vol.1. 1. ed. São Paulo: Geográfica Editora, 2006. 952p.
Disponível na Internet via http://averdadeestampada.blogspot.com.br/2011/09/misterios-do-numero-7.html. Arquivo capturado em 18 de julho 2017.
COLLINS,Gary R. Aconselhamento Cristão 1. ed. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1984. 389p.



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20h – Sexta-feira
Filme: Eu prefiro o Paraíso - Parte I

A vida de Felipe Néri abarca quase todo o século XVI, um dos mais turbulentos da Idade Moderna, época do Renascimento e da Reforma Protestante.
Nasceu em Florença no dia 21 de julho de 1515, numa família profundamente cristã. Seus membros haviam exercido cargos na magistratura da “cidade das flores”, por muitas gerações, o que lhes permitiu ocupar um lugar na nobreza toscana. Mas isso não dispensava o pai, Francisco Néri, de trabalhar arduamente como tabelião para sustentar a família.
Felipe perdeu a mãe muito cedo, mas encontrou na madrasta uma digna sucessora que o amou como filho. O menino era tão amável, jovial e terno, que logo tornou-se conhecido como Pippo Buono, “o bom Felipinho”. Essa bondade de coração e amabilidade contagiantes seriam o grande segredo de suas conquistas no ministério.
Tendo estudado humanidades com os melhores professores da cidade, por volta dos 16 anos seu pai o enviou para São Germano, aos pés de Monte Cassino, para aprender a arte do comércio com seu tio Rômulo. Apesar de Felipe se dedicar com empenho ao negócio, suas cogitações estavam muito acima das mercadorias com que tratava. Logo se viu que ele não tinha senso comercial, mas divino. Apenas terminado o trabalho do dia, retirava-se para alguma igreja ou um dos oratórios abundantes na Itália.
Servia-se também do emprego para cumprir seu ministério. Perguntava aos fregueses se sabiam o Pai-Nosso ou se haviam feito a Páscoa. O tio comentava: “Felipe nunca será um bom comerciante. Eu deixaria a ele toda minha herança, se não fosse essa mania de orar”. Para Felipe isso não era uma “mania”, mas necessidade. “Nada ajuda mais o homem do que a oração”, dirá mais tarde.
Por isso, quando fez 20 anos, deixou a casa do tio e foi para Roma.

Santa alegria dos filhos de Deus

Em Roma estudou filosofia na universidade La Sapienza, e teologia na de Santo Agostinho, mantendo-se com aulas particulares.Os que tratavam com ele ficavam admirados de sua sabedoria, profundidade de pensamento e vida santa. Nessa época ele já vivia a pão e água uma vez só por dia, dormia apenas algumas horas no chão duro, e passava parte da noite em oração.
À noite costumava visitar as sete principais igrejas de Roma, retirando-se depois para a catacumba dos cristãos. Seu exemplo atraiu muitos companheiros, que se juntaram a ele nesses santos exercícios.
Apesar de sempre sorridente e amável, sua modéstia e virginal pudor faziam-no ser respeitado até pelos mais dissolutos. Via-se sempre a alegria transparecer em seu rosto, e a doçura estava de tal modo em seus lábios, que era uma grande satisfação estar com ele.
O que é mais curioso é que Felipe, nessa época, não pensava em fazer-se sacerdote. Julgava acertadamente que se pode servir a Deus e ao próximo muito bem, permanecendo leigo.
Entrou para a Companhia do Divino Amor, irmandade cujo objetivo era atender espiritual e materialmente os pobres, os doentes, os órfãos e os encarcerados. No Hospital dos Incuráveis, cuidou dos enfermos até o fim de sua vida, e para lá enviaria os seus seguidores. Entre estes encontrava-se um que é considerado o maior compositor do século XVI, Giovanni Pierluigi da Palestrina, cujas músicas passaram a fazer parte do repertório dos seguidores de Felipe. Pois a música desempenhava papel importante em seu ministério.
Não contente com a visita a hospitais, Felipe punha-se também a percorrer ruas e praças, falando às pessoas sobre o Evangelho e as coisas de Deus, da maneira mais comovedora e cativante. A um perguntava: “Então, meu irmão, quando é que começaremos a amar a Deus?”. A outro: “É hoje que nos decidimos a comportar-nos bem?”. Ele era sobretudo um apóstolo e um semeador da santa alegria dos filhos de Deus.

Sua vocação
Felipe Néri se sentia chamado especialmente para cuidar da juventude. Para colocar os jovens em guarda contra as seduções da idade e conservar todo frescor da virtude, ele lhes dizia para se lembrarem sempre das palavras do profeta: “Bem-aventurado o homem que leva o jugo do Senhor desde sua adolescência”. Havia em sua voz e em suas maneiras tanto atrativo, que muitos, cedendo ao ascendente que Felipe tinha sobre eles, renunciavam às frivolidades do mundo e se entregavam inteiramente a Deus. Assim ele enviou a Inácio, para sua recém-fundada Companhia de Jesus, muitos novos recrutas.

A grande graça de Pentecostes
No dia de Pentecostes de 1545, quando suplicava ardentemente ao Espírito Santo que lhe enviasse seus dons, viu de repente uma bola de fogo que lhe entrou boca adentro, descendo até o coração. Tal foi a veemência de amor de Deus que sentiu, que julgou que iria morrer. Caiu no chão, gritando: “Basta, Senhor, basta! Não resisto mais!”
O mais notável é que seu peito dilatou-se, mesmo fisicamente, na altura do coração. Isto foi constatado depois da morte pelo médico Andréa Cesalpino, que fez a autópsia: “Percebi que as costelas estavam rompidas naquele ponto, isto é, estavam separadas da cartilagem. Só dessa maneira era possível que o coração tivesse espaço suficiente para levantar-se e abaixar-se. Cheguei à conclusão de que se tratava de algo sobrenatural, de uma providência de Deus para que o coração, batendo tão fortemente como batia, não se machucasse contra as duras costelas”.
“Durante seus últimos dias como leigo, o ministério de Felipe cresceu rapidamente. Em 1548, junto com seu confessor Persiano Rosa, fundou a Confraternidade da Santíssima Trindade para cuidar de peregrinos e convalescentes. Seus membros se reuniam para a Comunhão, oração e outros exercícios espirituais na igreja de São Salvador. Embora ele ainda fosse leigo, fazia a pregação, e sabemos que numa só ocasião ele converteu trinta jovens dissolutos”.

Ministério da Palavra

Quando Felipe tinha 36 anos, seu confessor Persiano ordenou-lhe, em nome de Deus, que se fizesse sacerdote. Depois de mais alguns estudos, ordenou-se, celebrando sua primeira missa no dia 23 de maio de 1551. Felipe entrou então para a comunidade de Presbíteros de São Jerônimo, que gozava merecida fama pelas virtudes de seus componentes. Estes, embora vivessem em comunidade e tivessem mesa em comum, não se obrigavam a nenhum voto. Este será o berço do Oratório de Felipe Néri.
Ouvindo contar as maravilhas operadas por Francisco Xavier na Índia, Felipe pensou muito em ir também para o Oriente. Dirigiu-se então a Agostinho Ghattino, pedindo-lhe que consultasse o Senhor sobre esse seu projeto. A resposta divina foi: “Felipe não deve buscar as Índias, mas Roma, onde o destina Deus, assim como a seus filhos, para salvar almas”.
Como sacerdote, Felipe dedicou-se especialmente ao confessionário, onde passava grande parte do dia.
Muitos de seus seguidores, levados pelo desejo de receber orientação espiritual passaram a ir diariamente visitá-lo, passando a uma grande multidão.
Como todos os santos, teve que enfrentar muitas calúnias. O próprio cardeal vigário de Roma, levado por um certo parti-pris (opinião precipitada) e pelos rumores de que mantinha assembleias perigosas e semeava novidades entre o povo, chegou a repreendê-lo severamente, retirando-lhe a licença para atender confissões durante quinze dias. Mas, tendo o cardeal falecido repentinamente, o papa Paulo IV, chamado a julgar o caso, não só absolveu Felipe como recomendou-se às suas orações.
Um dos principais discípulos de Felipe foi Cesare Barônio, depois cardeal, autor dos Annales Ecclesiastici (constituído por doze volumes, é uma história dos primeiros 12 séculos da Igreja Cristã), trabalho que marcou época na historiografia e mereceu para seu autor o título de “Pai da História Eclesiástica”.
Felipe Néri entregou sua alma a Deus no dia 26 de maio de 1595.
Foi um homem com vida Transfigurada pelo amor ao Senhor.


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8:45h - Sábado
O Monte Tabor: A Oração como fonte de Transfiguração!



O arquiteto italiano fantástico Antonio Barluzzi projetou a Igreja da Transfiguração no Monte Tabor, assim também como outras igrejas na Terra Santa. Ele projetava essas igrejas com a Bíblia na mão e passava para arquitetura a experiência essencial daquele lugar.
Nesta linda Igreja as duas colunas representam Moisés e Elias. Respectivamente a Lei e a Profecia e ao centro em forma de tenda. Cada coluna daquela tem uma capela para Moises e Elias e a maior ao centro a sugerida por Pedro, que é o próprio Jesus.
No interior da Igreja uma luminosidade proporcional, por se tratar da Transfiguração do Senhor, ela é clara, cheia de luz, pois diante do Mistério de Cristo tudo se transfigura se revela, se ilumina.
A Tradição diz que neste Monte o Senhor levou Pedro, Tiago e João.
A montanha é o lugar místico por excelência na Bíblia, nelas durante a História da Salvação houveram vários episódios da intervenção de Deus e Nosso Senhor Jesus no cimo de algumas, como o Monte Tabor, realizou milagres, fez maravilhosos discursos e ensinou os seus discípulos a buscar sempre ouvir a voz de Deus.
Jesus manifestou aos seus discípulos este mistério no monte Tabor. Havia andado com eles, falando-lhes a respeito de seu reino e da segunda vinda na glória. Mas talvez não estivessem muito seguros daquilo que lhes anunciara sobre o reino. Para que tivessem firme convicção no íntimo do coração e, mediante as realidades presentes, cressem nas futuras, deu-lhes ver maravilhosamente a divina manifestação do monte Tabor, imagem prefigurada do reino dos céus. Foi como se dissesse: Para que a demora não faça nascer em vós à incredulidade, logo, agora mesmo, eu vos digo alguns dos que aqui estão não provarão a morte antes de verem o Filho do homem vindo na glória de seu Pai (cf. Mt 16,28).
Mostrando o Evangelista ser um só o poder de Cristo com sua vontade, acrescentou: E seis dias depois, tomou Jesus consigo Pedro, Tiago e João e levou-os a um monte alto e afastado. E transfigurou-se diante deles; seu rosto brilhou como o sol, as vestes se fizeram alvas como a neve. E eis que apareceram Moisés e Elias a falar com ele (cf. Mt 17,1-3).
São estas as maravilhas da presente solenidade, é este o mistério de salvação para nós que agora se cumpriu no monte: ao mesmo tempo, congregam-nos agora a morte e a festa de Cristo. Para penetrarmos junto àqueles escolhidos dentre os discípulos, inspirados por Deus, na profundeza destes inefáveis e sagrados mistérios, escutemos a voz divina que do alto, do cume da montanha, nos chama instantemente.
Para lá, cumpre nos apresarmos, ouso dizer, como Jesus, que agora nos céus é nosso chefe e precursor, com quem refulgiremos aos olhos espirituais – renovadas de certo modo as feições de nossa alma – conformados à sua imagem; e à semelhança dele, incessantemente transfigurados, feitos consortes da natureza divina e prontos para as alturas.

Para lá corramos cheios de ardor e de alegria; entremos na nuvem misteriosa, semelhantes a Moisés e Elias ou Tiago e João. Sê tu também como Pedro, arrebatado pela divina visão e aparição, transfigurado por esta linda Transfiguração, erguido do mundo, separado da terra.
Deixa a carne, abandona a criatura e converte-te para o Criador a quem Pedro, fora de si, diz: Senhor é bom para nós estarmos aqui (Mt 17,4).
Sim, Pedro, verdadeiramente é bom para nós estarmos aqui com Jesus e aqui permanecermos pelos séculos. Que pode haver de mais delicioso, de mais profundo, de melhor do que estar com Deus, conformar-se a ele, encontrar-se na luz?
De fato, cada um de nós, tendo Deus em si, transfigurado em sua imagem divina, exclame jubiloso: É bom para nós estarmos aqui, onde tudo é luminoso, onde está o gáudio, a felicidade e a alegria. Onde no coração tudo é tranquilo, sereno e suave. Onde se vê a Cristo, Deus. Onde ele junto com o Pai tem sua morada e ao entrar, diz: Hoje chegou a salvação para esta casa (Lc 19,9). Onde com Cristo estão os tesouros e se acumulam os bens eternos. Onde as primícias e figuras dos séculos futuros se desenham como em espelho.

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14 horas – Sábado
Leitura em Grupo
A Transfiguração e o Êxtase sem Entendimento
Harry Tenório



O homem é um ser religioso. Desde os tempos mais remotos, ele tem levantado altares. Há povos sem leis, sem governos, sem economia, sem escolas, mas jamais sem religião. O homem tem sede do Eterno. Deus mesmo colocou a eternidade no coração do homem. Cada religião busca oferecer ao homem o caminho de volta para Deus. As religiões são repetições do malogrado projeto da Torre de Babel.  O homem é um ser confuso espiritualmente. Só há duas religiões no mundo: a revelada e aquela criada pelo próprio homem. Uma tenta abrir caminhos da terra ao céu; a outra, abre o caminho a partir do céu. Uma é humanista, a outra é teocêntrica. Uma prega a salvação pelas obras; a outra, pela graça.
O cristianismo é a revelação que o próprio Deus faz de si mesmo e do seu plano redentor. As demais religiões representam um esforço inútil de o homem chegar até Deus através dos seus méritos. O homem é um ser que idolatra a si mesmo. A religião que prevalece hoje é a antropolatria. O homem tornou-se o centro de todas as coisas. Na pregação contemporânea, Deus é quem está a serviço do homem e não o homem a serviço de Deus. A vontade do homem é que deve ser feita no céu e não a vontade de Deus na terra. O homem contemporâneo não busca conhecer a Deus, mas sentir-se bem. A luz interior tornou-se mais importante do que a revelação escrita. O culto não é racional, mas sensorial. O homem não quer conhecer, quer sentir. O sentimento prevaleceu sobre a razão. As emoções assentaram-se no trono e a religião está se transformando num ópio, um narcótico que anestesia a alma e coloca em sono profundo as grandes inquietações da alma.

Pedro, Tiago e João sobem o Monte da Transfiguração com Jesus, mas não alcançam as alturas espirituais da intimidade com Deus. Há uma transição bela entre o capítulo 8 de Marcos e este capítulo 9; no anterior Cristo falou da cruz, agora ele revela a glória. O caminho da glória passa pela cruz. A mente dos discípulos estava confusa e o coração fechado. Eles estavam cercados por uma aura de glória e luz, mas um véu lhes embaçava os olhos e tirava-lhes o entendimento.
 Os discípulos andam com Jesus, mas não conhecem a intimidade do Pai – (Lc 9.28,29). Jesus subiu o Monte da Transfiguração para orar. A motivação de Jesus era estar com o Pai. A oração era o oxigênio da sua alma. Todo o seu ministério foi regado de intensa e perseverante oração. Jesus está orando, mas em momento nenhum os discípulos estão orando com ele. Eles não sentem necessidade nem prazer na oração. Eles não têm sede de Deus. Eles estão no monte a reboque, mas não estão alimentados pela mesma motivação de Jesus. Os discípulos estão diante da manifestação da glória de Deus, mas, em vez de orar, eles dormem – (Lc 9.28,29). Jesus foi transfigurado porque orou. Os discípulos não oraram e por isso foram apenas espectadores. Porque não oraram, ficaram agarrados ao sono. A falta de oração pesou-lhes as pálpebras e cerrou-lhes o entendimento. Um santo de joelhos enxerga mais longe do que um filósofo na ponta dos pés. As coisas mais santas, as visões mais gloriosas e as palavras mais sublimes não encontraram guarida no coração deles. As coisas de Deus não lhes davam entusiasmo; elas cansavam seus olhos, entediavam seus ouvidos e causavam-lhes sono.
Os discípulos experimentam um êxtase, mas não têm discernimento espiritual – (9.7,8). Os discípulos contemplaram quatro fatos milagrosos: a transfiguração do rosto de Jesus, a aparição em glória de Moisés e Elias, a nuvem luminosa que os envolveu e a voz do céu que trovejava em seus ouvidos. Nenhuma assembleia na terra jamais foi tão esplendidamente representada: lá estava o Deus triúno, Moisés e Elias, o maior legislador e o maior profeta. Lá estavam Pedro, Tiago e João, os apóstolos mais íntimos de Jesus.
Apesar de estar envoltos num ambiente de milagres, faltou-lhes discernimento em quatro questões básicas: Em primeiro lugar, eles não discerniram a centralidade da Pessoa de Cristo (9.7,8). Os discípulos estão cheios de emoção, mas vazios de entendimento. Querem construir três tendas, dando a Moisés e a Elias a mesma importância de Jesus. Querem igualar Jesus aos representantes da Lei e dos Profetas. Como o restante do povo, eles também estão confusos quanto à verdadeira identidade de Jesus (Lc 9.18,19). Não discerniram a divindade de Cristo. Andam com Cristo, mas não lhe dão a glória devida ao seu nome (Lc 9.33). Onde Cristo não recebe a preeminência, a espiritualidade está fora de foco. Jesus é maior do que do Moisés e Elias. A Lei e os Profetas apontaram para ele. Warren Wiersbe diz que tanto Moisés como Elias, tanto a lei como os profetas tiveram seu cumprimento em Cristo (Hb 1.1-2; Lc 24.25-27). Moisés morreu e seu corpo foi sepultado, mas Elias foi arrebatado aos céus. Quando Jesus retornar, ele ressuscitará os corpos dos santos que morreram e arrebatará os santos que estiverem vivos (1 Ts 4.13-18). O Pai corrigiu a teologia dos discípulos, dizendo-lhes: “Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi” (Lc 9.34,35).
Jesus não pode ser confundido com os homens, ainda que com os mais ilustres. Ele é Deus. Para ele deve ser toda devoção. Nossa espiritualidade deve ser cristocêntrica. A presença de Moisés e Elias naquele monte longe de empalidecer a divindade de Cristo, confirmava que de fato ele era o Messias apontado pela lei e pelos profetas.
Em segundo lugar, eles não discerniram a centralidade da missão de Cristo. Moisés e Elias apareceram para falar da iminente partida de Jesus para Jerusalém (Lc 9.30,31). A agenda daquela conversa era a cruz. A cruz é o centro do ministério de Cristo. Ele veio para morrer. Sua morte não foi um acidente, mas um decreto do Pai desde a eternidade. Cristo não morreu porque Judas o traiu por dinheiro, porque os sacerdotes o entregaram por inveja nem porque Pilatos o condenou por covardia. Ele voluntariamente se entregou por suas ovelhas (Jo 10.11), pela sua igreja (Ef 5.25). Toda espiritualidade que desvia o foco da cruz é cega de discernimento espiritual. Satanás tentou desviar Jesus da cruz, suscitando Herodes para matá-lo. Depois, ofereceu-lhe um reino. Mais tarde, levantou uma multidão para fazê-lo rei. Em seguida, suscitou Pedro para reprová-lo. Ainda quando estava suspenso na cruz, a voz do inferno vociferou na boca dos insolentes judeus: “Desça da cruz, e creremos nele” (Mt 27.42).
Se Cristo descesse da cruz, nós desceríamos ao inferno. A morte de Cristo nos trouxe vida e libertação. A palavra usada para “partida” é a palavra êxodo. A morte de Cristo abriu as portas da nossa prisão e nos deu liberdade. Moises e Elias entendiam isso, mas os discípulos estavam sem discernimento dessa questão central do Cristianismo (Lc 9.44,45).
Hoje há igrejas que aboliram dos púlpitos a mensagem da cruz. Pregam sobre prosperidade, curas e milagres. Mas, esse não é o evangelho da cruz, é outro evangelho e deve ser anátema!
Em terceiro lugar, eles não discerniram a centralidade de seus próprios ministérios – (9.5). Eles disseram: “Bom é estarmos aqui”. Eles queriam a espiritualidade da fuga, do êxtase e não do enfrentamento. Queriam as visões arrebatadoras do monte, não os gemidos pungentes do vale. Mas é no vale que o ministério se desenvolve. É mais cômodo cultivar a espiritualidade do êxtase, do conforto. É mais fácil estar no templo, perto de pessoas co-iguais do que descer ao vale cheio de dor e opressão. Não queremos sair pelas ruas e becos. Não queremos entrar nos hospitais e cruzar os corredores entupidos de gente com a esperança morta. Não queremos ver as pessoas encarquilhadas nas salas de quimioterapia. Evitamos olhar para as pessoas marcadas pelo câncer nas antecâmaras da radioterapia. Desviamos das pessoas caídas na sarjeta. Não queremos subir os morros semeados de barracos, onde a pobreza extrema fere a nossa sensibilidade. Não queremos visitar as prisões insalubres nem pôr os pés nos guetos encharcados de violência. Não queremos nos envolver com aqueles que vivem oprimidos pelo diabo nos bolsões da miséria ou encastelados nos luxuosos condomínios fechados.
É fácil e cômodo fazer uma tenda no monte e viver uma espiritualidade escapista, fechada entre quatro paredes. Permanecer no monte é fuga, é omissão, é irresponsabilidade. A multidão aflita nos espera no vale!
Em quarto lugar, eles estão envolvidos por uma nuvem celestial, mas têm medo de Deus – (Lc 9.34). Eles se encheram de medo (Lc 9.34) ao ponto de caírem de bruços (Mt 17.5,6). A espiritualidade deles é marcada pela fobia do sagrado. Eles não apenas não encontram prazer na comunhão com Deus através da oração, mas revelam medo de Deus. Veem Deus como uma ameaça. Eles se prostram não para adorar, mas para temer. Eles estavam aterrados (9.6). Pedro, o representante do grupo, não sabia o que dizia (Lc 9.33).
Deus não é um fantasma cósmico. Ele é o Pai de amor. Jesus não alimentou a patologia espiritual dos discípulos; pelo contrário, mostrou sua improcedência: “Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos, e não temais” (Mt 17.7). O medo de Deus revela uma espiritualidade rasa e sem discernimento.


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19:15 horas – Sábado
A Transfiguração do Senhor e a Espiritualidade Cristã.
Mateus 17: 1-9
Gleisto Sérgio



Esta passagem é em minha opinião trata de um dos momentos mais místicos de todo o Novo Testamento, onde eu me arriscaria a dizer que depois da morte e ressurreição do Senhor Jesus, talvez seja juntamente com o batismo, a Ceia e o Nascimento de Cristo os momentos mais Místicos do Novo Testamento. A palavra mística ou místico, vem de mistério, algo que não é deste mundo. Cristo tinha uma vida completamente mística.
O apóstolo Paulo declarou isso em sua carta aos Colossenses 1.26 “Ele é o mistério que esteve oculto dos séculos e das gerações, mas que agora foi manifesto aos seus santos”.
E que aprendemos com a Transfiguração do Senhor?
Em primeiro lugar, toda a experiência verdadeiramente mística é Divina. A iniciativa sempre é totalmente de Deus. O próprio texto declara isso quando diz que Jesus tomou os discípulos e os levou em particular. Tenho aprendido que, na espiritualidade cristã, tudo vem dEle pois tudo é para Ele, por Ele e pra Glória Dele, Ou seja, nada vem de nós, é pura graça!
Em segundo lugar, temos que ter muito cuidado para não ficar fissurado em repetir a Transfiguração que foi do Senhor e dada pelo Senhor. Algumas atitudes nossas, por mais bem-intencionadas que sejam, podem nos levar a algo que eu particularmente chamaria de ‘’simonia pós-moderna’, pois a etimologia da palavra vem de Simão mago  onde a sua história está registrada em atos 8.9-25 em que ele após largar a vida de mago e abraçar a fé cristã e andar com Felipe e ficar impressionado com o poder na vida deste, tentou “negociar” para que o mesmo transferisse tal poder a ele. A intenção de Simão foi boa mas o seu erro foi tentar conseguir literalmente a qualquer preço essa experiência. Quantos de nós alguns momentos não tivemos essa boa intenção em comprar e ler e reler o livro daquele pregador querendo de fato conseguir o tal poder ou tal experiência que o mesmo teve?  Ou quem sabe participar daquela campanha de poder realizado por aquele ministério famoso no intuito de sair dali com a tal experiência mística “em mãos”, ou talvez aquela campanha de jejum ou campanha no monte não que essas coisas sejam erradas, mas temos sempre que lembrar que tudo vem dEle e que nunca e jamais, poderemos “torcer” o braço de Deus na busca alucinada para tal ou tais experiências.
Em terceiro lugar, observamos que o texto diz que uma voz saiu da nuvem que os cobria e dizia: ’’Este é o eu filho amado, em quem me comprazo, escutai-o! Neste texto eu entendo que escutar não é simplesmente o ato de ouvir, e sim ouvir e atender as palavras do mestre. É ser todos os dias radicalmente discipulado por Cristo. Uma linda canção de uma igreja muito conhecida, diz em um dos seus trechos: ’’te ouvir, te conhecer é a maior experiência que um homem pode ter’’ e eu penso que isso é uma grande verdade, pois acho que não há experiência maior para o homem do que o impacto da Palavra de Deus, do que ser radicalmente transformado pelo Evangelho. Apóstolo Paulo disse isso em Romano 1.16, que o Evangelho é o poder, que em grego é Dúnamis, original das palavras dinamite e dínamo elétrico. É isso mesmo que o Evangelho faz em nossas vidas uma explosão de poder! Por falar em poder e experiências místicas, eu creio que o povo de Deus na saída do Egito até Canaã, talvez foi testemunha das maiores e mais assustadoras experiências  e manifestações místicas da Bíblia e creio que da história da humanidade, mas a Bíblia diz que a maioria ficou no deserto, não chegou à terra prometida, simplesmente por seu pecado e incredulidade. Pereceram no deserto. Por isso o mais importante para os discípulos de Cristo é escutar!   Não escutemos ao lobo, ao mercenário, ao falso profeta, ao mentiroso. Escutemos a Cristo através de sua Palavra!
Em quarto e último lugar, observamos que o texto também diz que Jesus recomenda que não contassem a ninguém até a sua ressureição e o texto de Lucas expressa que eles ficaram em silencio por aqueles dias. Os discípulos simplesmente tiveram uma experiência espetacular. Sem apelar para nenhuma interpretação teológica. Eles tiveram uma “palhinha” sobre o que é a dimensão da eternidade, tendo Cristo se encontrado com Elias e Moisés na frente deles. Porém, depois de tudo aquilo, Cristo deu uma ordem de ficarem em silêncio.
Eu creio que por maiores que possam ser as nossas experiências, por mais espetacular que sejam, tudo é dEle.
Traçando um paralelo com o tema do retiro da OESI anos atrás que o tema foi o silencio; tem momentos quem é exatamente isso que Cristo exige de nós: o silêncio.
Corremos o risco de deixar o ‘’eu’’ prevalecer, como quem diz: “eu vi, eu estava lá, foi comigo, eu vivi esta experiência”.
Creio que os discípulos estiveram desesperados de vontade para dizer o ‘’eu vi’’, mas permaneceram em silêncio. Foram obedientes.
E se fosse à gente? Talvez também teríamos muita vontade de sair testemunhando e dizendo: “eu vi’’!
Por mais espetaculares que possam ser as experiências, nada é para nós ou para o nosso ‘’eu’’. Tudo tem que ser para o engrandecimento do Reino e da Gloria do nosso Deus.

Paz e bem.


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8:45h – Domingo
Pessoas Transfiguradas na História da Igreja
Filipe Maia



O termo transfigurar vem de uma palavra grega “metamorphoõ”, que gerou nossa palavra “metamorfose”, que significa “mudar em outra forma”.
No sentido bíblico mais estrito é aplicada à experiência descrita na Bíblia nos Evangelhos sinóticos (Mt 17:1-13; Mc 9:2-13; Lc 9:28-36). Jesus conduz três de seus discípulos a um monte e diante de seus olhos é transfigurado (mudado de forma): seu rosto se torna resplandecente como o sol e suas vestes de uma brancura como a luz.
Apesar de esse evento ter acontecido uma única vez, somente com Jesus e o transfigurar-se se referir literalmente a uma mudança de aparência física, podemos afirmar, sem dificuldade alguma, que a obra do Evangelho na vida do fiel é uma obra de transfiguração: não necessariamente do exterior, mas, sobretudo do homem interior. (cf. 2Co 4:16)
No momento em que recebemos a Cristo como único Senhor e suficiente Salvador e o Espírito Santo passa a fazer morada em nós, começa-se a boa obra de que o apóstolo São Paulo nos fala (cf. Fp 1:6). Obra esta de mudanças profundas em nosso eu mais oculto, de formação espiritual à imagem do próprio Filho de Deus, Jesus. Você e eu através do mover do Espírito em nós somos “transfigurados” em um novo homem, em uma nova mulher. Somos, na linguagem paulina, novas criaturas no Cristo!

“Agora olhamos para dentro, e o que vemos é que qualquer um, unido a Cristo, tem a chance de um novo começo e é criado de novo. A velha vida se foi. Uma nova vida floresce”
 (2Co 5:17 – A Mensagem).

A história da igreja é uma história que está sendo ainda escrita por e acerca de pessoas que tiveram suas vidas profundamente transfiguradas a partir do seu encontro pessoal com Jesus e, posteriormente, com o desenvolvimento de uma profunda espiritualidade marcada por amor, paixão, devoção, disciplina e amizade cristocêntrica.
Nossa proposta, na presente reflexão, é de olharmos para a vida espiritual de personagens da história da igreja como exemplos de vidas que passaram por aquilo que poderíamos chamar de uma “transfiguração cristificante”, ou seja, pessoas como você e eu que foram profundamente transformadas em alguém semelhante a Jesus.
Que nós sejamos desafiados a passamos também por semelhante transfiguração!

Os Padres do Deserto – Vidas Transfiguradas a partir do domínio das paixões (espiritualidade a partir da base).
Os padres do deserto, como são comumente chamados, foram cristãos, muitos deles monges, freiras e eremitas, que por volta do século III d.C. mudaram-se para o deserto da Nítria, no Egito, para dedicarem-se a solitude, ao silêncio e a oração. O mais conhecido deles foi Antão (ou Antônio, o Grande) que mudou-se para o deserto em 270 e ficou conhecido como o fundador do monasticismo no deserto.
Os padres do deserto tiveram uma grande influência no cristianismo primitivo.  Os encontros entre esses monges eremitas formaram comunidades posteriormente que se tornaram o modelo para o monasticismo cristão. A tradição dos padres do deserto também influenciou outros movimentos como a tradição monástica oriental (Hesicasmo – Monte Atos), a ocidental sob a regra de São Bento. Mesmo renascimentos religiosos mais modernos, como os evangélicos alemães, os pietistas da Pensilvânia e o renascimento metodista na Inglaterra foram vistos por estudiosos atuais como tendo sido, em alguma medida, influenciados pelos padres do deserto.
Com a legalização do cristianismo pelo Império Romano, e a cessação do martírio de fiéis, os padres do deserto viram na fuga para o ermo a alternativa e possibilidade de um novo “martírio”. Agora o que haveria de morrer não seria mais o corpo, mas, as paixões carnais que guerreiam com a alma. E os instrumentos do martírio também  seriam outros: não mais as presas das feras no Coliseu e sim as ascese profunda.
Os padres do deserto nos ensinam aquilo que é chamado de uma “espiritualidade a partir da base”. Esse tipo de espiritualidade leva em consideração nossas paixões carnais, as áreas cinza e tenebrosas de nossas almas, o que difere da espiritualidade que estamos acostumados a qual trata de grandes ideais acerca de Deus e da vida espiritual.
No confronto com nossos “demônios internos”, ou seja, o pecado, acabamos nos conhecendo a nós mesmos, ao mergulharmos em nossas “profundidades mais abissais”, e ascendemos para Deus. Pois, no entendimento deles, “é a partir do mais baixo que podemos ascender até Deus” (Grun, Anselm – O Céu começa em você).
Essa espiritualidade é um caminho que conduz à humildade de coração, pois, somos confrontados pelo nosso autoconhecimento o qual denuncia que toda a nossa ambição espiritual anterior não passava de mero orgulho e vaidade.

Bento de Núrsia – Vida Transfigurada pela Obediência a Regra.
Bento nasceu em Núrsia, próximo à cidade italiana de Espoleto, e era filho de um  nobre romano. Ele era irmão gêmeo de Santa Escolástica que fundou o ramo feminino do movimento beneditino.
Bento foi enviado a Roma para estudar retórica e filosofia. No entanto, em função da corrupção moral que encontrou ali, retira-se e foge para Enfide no ano 500. Naquele lugar deserto, instala-se numa gruta de difícil acesso e passa três anos como eremita dedicando-se à oração e o autosacrifício.
No ano de 503 ele recebe uma grande quantidade de pessoas desejosas de serem seus discípulos e funda 12 mosteiros. Em 529 em decorrência da inveja de um sacerdote muda-se para o Monte Cassiano onde funda um mosteiro que viria a ser o fundamento da expansão da Ordem dos Beneditinos.
Bento foi profundamente influenciado por João Cassiano e pelo monasticismo do Egito. Em função disso incorporou muitas das práticas do deserto nos mosteiros que ajudou a fundar no sul da Europa.
Os mosteiros fundados por Bento eram cuidadosamente organizados e conhecidos por práticas específicas como, por exemplo, a escolha de 12 monges que formavam a comunidade, sendo que o 13º monge era o líder do mosteiro, ou abade. Esse abade era escolhido com base na demonstração das qualidades de Jesus encontradas em sua prática de vida.
No ano de 534, Bento começa a escrever sua Regula Monasteriorum (Regra dos Mosteiros).
A regra que Bento escreveu ao mesmo tempo em que é simples é muito profunda. De tantas contribuições que nos deixou podemos destacar seu entendimento de que o principal objetivo de nossa vida espiritual é que ela se torne vida eterna.
Na regra o caminho para essa “transfiguração” é a ordenação de nossa vida através da oração, trabalho, estudo e descanso, tudo isso interligado a um contexto de humildade e comunidade.  
Trata-se de um processo de formação espiritual que se desenvolvia de diversas maneiras:
Através da Bíblia. Principalmente na prática antiga da Lectio Divina, uma forma de ler e meditar nas Escrituras com sabedoria e entendimento, utilizando-se da mente e do coração. Na Lectio o monge aprendia a intuir suas ideias e sentimentos e a desenvolver uma compreensão holística da vida com Deus.
Através dos santos e mestres espirituais do passado. Bento exigia atenção especial a João Cassiano e sua leitura regular nos mosteiros.
Através da Vida Espiritual. Bento acreditava que poderíamos aprender verdades profundas ao levarmos em consideração às nossas motivações mais profundas, aos pensamentos espontâneos e às reações emocionais. Segundo ele ao examinar essas dinâmicas de nossa alma ficamos mais atentos aos movimentos de Deus e aprendemos a imitar Cristo.
Através do Comprometimento com a Comunidade. Bento compreendia que a vida em comunidade era a expressão mais elevada da vida espiritual, principalmente por sua característica de forçar seus membros a crescerem através da mudança. Viver assim permitia enxergar a vida numa ótica sacramental e sagrada.
O caminho proposto pela Regra que Bento escreveu visa conduzir-nos à uma atitude de humildade perante Deus, a vida e ao próximo. Quando ficamos expostos a ela por algum tempo, seu conteúdo torna-se uma fonte de sabedoria que nos orienta em nossa vida com Deus.

Francisco de Assis – Vida Transfigurada pela Imitação de Cristo.
Francisco de Assis, nascido Giovanni di Pietro di Bernardone em 5 de Julho de 1182, talvez seja o santo mais amado e popular tanto entre cristãos católicos, ortodoxos e protestantes. Filho de um rico comerciante de tecidos na cidade de Assis, antes de sua conversão a Cristo viveu uma vida mundana de exageros e noitadas. Ele era o líder dos jovens de sua cidade.
Desde cedo desejou tornar-se um cavaleiro a serviço de um nobre senhor. Sempre fora fascinado por aventuras e histórias de cavalaria.
Sendo assim, alistou-se em 1202 na guerra de Assis contra Perugia. Ele acabou capturado e ficou preso aguardando resgate por um ano. Ao ser libertado voltou doente, o que durou quase o ano todo de 1204.
Depois que se recuperou alistou-se novamente para fazer parte do exército papal que guerreava na época contra Frederico II, incentivado por um sonho que teve. A caminho, durante o trajeto, teve outro sonho em que uma voz lhe dizia: “Francisco, a quem queres servir, ao servo ou ao Senhor?”. Confundido ele respondeu: “o que queres que eu faça?”. Ao que a voz novamente lhe disse: “Volta para a tua terra, e te será dito o que haverás de fazer.”
Já em Assis durante uma de suas festanças com os amigos foi tocado pela presença divina e, a partir daí, começou a perder seu interesse pelo antigo estilo de vida ao mesmo tempo em que lhe surgiu uma grande preocupação com os necessitados.
Certo dia saiu para passear de cavalo e encontrou-se com um homem leproso, o que lhe causaria naturalmente repulsa. No entanto Francisco desce do cavalo e coloca seu manto sobre o homem e lhe dá um beijo no rosto deformado. Os estudiosos apontam essa mudança de atitude de Francisco em relação aos leprosos como o ponto que demarca sua conversão pessoal a Cristo.
Numa outra ocasião entrou na igreja de São Damião para orar e ouviu a voz de Cristo que vinha de um crucifixo a lhe instar que reconstruísse a igreja que estava em ruínas. Interpretando aquele pedido literalmente, parte para a cidade e vende os tecidos de seu pai a preço popular e leva o montante de dinheiro e o entrega ao padre da igreja.
Ao saber disso seu pai o conduz até o bispo da cidade acusando-o de dissipar sua fortuna. Para a surpresa de todos ali, diante de uma multidão de pessoas, Francisco se despe e entrega suas roupas ao pai, abrindo mão assim de seu direito a seu nome e bens. Ali, pedindo a benção do bispo partiu nu, para viver uma vida de pobreza entre os excluídos e necessitados da sociedade.
A vida de Francisco foi verdadeiramente muito inspiradora e impactante. Tanto que três ordens principais se formaram em torno dele: a Ordem dos Frades Menores (OFM), a Ordem das Clarissas e a Ordem Franciscana Secular (OFS).
Parte do encanto da vida de Francisco se encontra exatamente na forma que ele viveu. Um estilo de vida transfigurada na busca em imitar a Jesus vivendo seu Santo Evangelho de forma literal.
Num certo dia enquanto, durante um ofício divino, ele lia e escutava um sermão, três passagens atingiram-lhe profundamente o coração: “Vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres” (Mt 19:21); “Não levem nada pelo caminho” (Lc 19:21); “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo” (Mt 16:24).
Esses três textos bíblicos não apenas se tornaram, posteriormente, o fundamento da espiritualidade franciscana, mas também o norte de Francisco para o seu desejo mais arrebatador: imitar seu amigo e Senhor, Jesus Cristo.
Francisco sempre se referia a seu estilo de vida e de seus companheiros como “evangélico”. Com isso ele queria dizer o resgate da vida e dos ensinamentos de Jesus contidos nos Evangelhos. Francisco não se preocupava com as interpretações do Evangelho tanto quanto com a busca de vivê-lo na sua literalidade. Ou seja, ele via o que estava escrito, ia e coloca em prática!
Encontramos nos ensinamentos de Francisco alguns pilares que sustentavam essa Imitatione Christi. Um deles era a Obediência: devemos ser obedientes a Deus em tudo o que significa seguir sempre a vida e o espírito de Jesus. Outro pilar era a necessidade de se estar constantemente aberto para o ministério e inspiração do Espírito Santo: a capacidade de imitar a Cristo é resultado direto do poder do Espírito em nossa vida. A honra e o respeito à igreja era outro pilar dos ensinos de Francisco: a comunidade cristã é o contexto propício para que encontremos o companheirismo em Cristo. Precisamos de companheiros que possam nos encorajar e ajudar na nossa caminhada com Deus. E por fim, a manifestação do evangelho vivo através do autocontrole, da paciência, da humildade e da prática de outras virtudes cristãs.
Em síntese, para Francisco o principal impacto do Evangelho para uma vida transformada na semelhança de Cristo, é uma atitude de simples obediência à vontade de Deus.

João Wesley – Vida Transfigura por um Coração em Chamas.
João Wesley era o quinto filho de um ministro anglicano chamado Samuel e de sua esposa Susana. Ele nasceu em 17 de Junho de 1703 em Epworth, Inglaterra.
A sociedade na época de seu nascimento passava por um momento conturbado por causa da Revolução Industrial que fazia crescer o número de desempregados. As ruas da Inglaterra estavam cheias de mendigos e o cristianismo nas igrejas completamente ineficaz e definhando.
Por questões da vida ministerial de seu pai, sua mãe, Susana, assumiu a administração do lar bem como o ensino secular e religioso dos filhos.
Ainda na infância foi o último filho a ser salvo, de maneira miraculosa, de um incêndio que destruiu toda a casa da família. Depois disso João Wesley ficou conhecido como “um tição tirado do fogo”.
João Wesley estudou com sua mãe até os 11 anos de idade. Depois entrou para uma escola pública onde estudou por seis anos. Aos 17 anos ingressa na Universidade de Oxford.
Na universidade graduou-se em teologia. Foi lá que se formou o famoso “clube santo”, expressão zombeteira que foi dada aos encontros de Wesley e outros rapazes para o estudo e a oração. Como eles tinham horários e métodos para tudo que faziam acabaram por serem chamados de “metodistas”.
Um dos principais episódios que marcaram o início do movimento metodista foi a viagem que Wesley fez à Virgínia com o objetivo de evangelizar o índios, o qual foi fracassado. 
Durante a travessia do Atlântico, perante o risco iminente de um naufrágio, Wesley fica impactado pela paz e alegria de um grupo de morávios que viajavam no mesmo navio. Ao passo em que essa mesma atitude não se encontrava presente em seu coração.
Após alguns anos, em 24 de Maio de 1738, numa reunião na rua Aldersgate, Londres,  ao ouvir a introdução do comentário de Lutero da carta aos Romanos, Wesley sente “seu coração estranhamente aquecido”. Através desta experiência ele experimentou grande confiança em Cristo e recebeu a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados. E a partir de então se acendeu um fogo ardente começando por ele, o qual varreu dois continentes com a glória de Deus através de um grande despertamento que conquistou milhares de almas para o Senhor Jesus.
Com a experiência do “coração aquecido” Wesley percebeu que a experiência não se contradizia a Bíblia. Pelo contrário, servia para organizar, iluminar e a plicar a verdade das Escrituras a nossa própria vida. Até aquele momento ele tinha sido fiel aos três pontos do anglicanismo que eram a autoridade primária da Bíblia, as autoridades secundárias da razão e da tradição. Agora a experiência proporcionava o quarto caminho para se conhecer a Deus.
Esse novo destaque à experiência religiosa inaugurou uma nova dimensão de entendimento teológico. Wesley chega a afirmar que o centro da religião é confirmado por experiências diretas, imediatas e internas com Deus. Da mesma forma que conhecemos as realidades físicas pelos sentidos físicos, também conhecemos as realidades espirituais através dos sentidos sobrenaturais. Segundo ele esse tipo de experiência determina a “religião verdadeira, bíblica e experimental”.
Ao usar o termo “experimental” Wesley se refere a que toda a nossa vida com Deus está construída sobre o poder de nossas experiências com Deus. E essa experiência deve fazer uma clara coligação com outras experiências já registradas na história da igreja.
Sendo assim, para Wesley o papel das experiências religiosas, perante a supremacia da Bíblia e a autoridade secundária tanto da razão quanto da tradição, era de confirmar a verdade de Deus contida nas mesmas.
A experiência espiritual, segundo ele, serve para misturar nossas sensações naturais, percepções e observações, organizando-as afim de que sejamos capazes de perceber a presença e o agir de Deus.
Deus não pode ser discernido por nossos sentidos naturais. Por isso, o Espírito Santo age em nós, testemunhando ao nosso espírito, através de uma impressão interior, de que estamos num relacionamento com Deus.
Isso nos transfigura fazendo com que experimentemos a certeza de nossa salvação. E nos traz a alegria, a paz, o contentamento e o ardor que tanto buscamos.


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14h – Domingo
A Espiritualidade do Tabor
Edson Cortasio Sardinha



O Tabor é um monte majestoso, alcançando 660 metros de altitude. É o lugar consagrado pela Tradição como o Monte Santo da Transfiguração. Maravilhoso panorama se descortina do alto, vendo-se o relevo ondulado da Galiléia, o lago de Genezaré, o cimo nevado do monte Hermon, o monte Carmelo e o Mar Mediterrâneo.
No dia 05 de agosto os cristãos árabes sobem o Monte e fazem uma vigília de comunhão. Às 10 horas da manhã do dia 06, ocorre uma celebração litúrgica em memória a Transfiguração do Senhor na nova Igreja de Antonio Barluzzi[1] construída sobre ruínas de igrejas antigas.

Na liturgia bizantina, na vigília do Dia da Transfiguração a igreja faz a seguinte oração:

«Hoje, em tua divina transfiguração, a inteira natureza humana
brilha de divino resplendor e exclama com júbilo: O Senhor transfigura-se salvando todos os homens».

                A parte final da liturgia é repetida várias vezes até o dia 13 de agosto. Eles repetem com alegria:

«Ó Cristo Deus, te transfiguraste sobre a montanha, mostrando aos discípulos tua glória, à medida que lhes era possível contemplá-la. Também sobre nós, pecadores, deixa brilhar tua luz eterna...

«Sobre o monte te transfiguraste e os teus discípulos, à medida que o podiam, viram a tua glória, ó Cristo Deus, a fim de que quantos te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária e proclamassem ao mundo
que tu és verdadeiramente o resplendor do Pai.»
A Espiritualidade do Monte Tabor é profunda, simples e complexa. É um poço que nunca falta água. Todas as vezes que subirmos ao Monte Tabor retiraremos águas cristalinas e preciosas.

O Monte Tabor fala de intimidade.
Mt 17.1 diz que Jesus chamou em particular Pedro, Tiago e João para subir a um alto monte. Esta intimidade é relacional. Só existe intimidade mediante relacionamento e amizade.
Precisamos, todos os dias, subir ao monte com Jesus. Ter momentos de relacionamentos profundos. Precisamos separar um rito próprio dentro do nosso cotidiano para subir ao Monte Tabor. Se não tivermos estes momentos diários nossa fé ficará engessada a uma simples doutrina ou tradição. É uma desgraça a fé ser transformada em um número, em nossa identidade religiosa.

Precisamos ouvir o convite de Jesus e diariamente parar para ver e ouvir seu Evangelho, seus olhos, sua voz e seus direcionamentos. É no Evangelho que encontraremos o Antigo Testamento. É um momento de encontro com Moisés e Elias. Falando e apontando para o sacrifício em Jerusalém. Vemos todo o Antigo Testamento com os óculos do Evangelho. Nosso encontro com Moisés e Elias aponta para Jesus. Jesus transfigurado transfigura o Antigo Testamento e nos faz enxergar a fé Nele próprio como cumprimento do propósito do Pai.

O Monte Tabor fala de Experiência.
            Mt 17 relata diversas experiências espirituais que os apóstolos tiveram: viram Jesus ser transfigurado (2) ao ponto do seu roto resplandecer como o sol e suas vestes tornarem-se brancas como a luz.
Viram Moisés e Elias conversando com Jesus sobre os acontecimentos de Jerusalém (3).
Viram uma nuvem de luz envolvendo-os (5) e ouviram a voz do Pai como Moisés no monte Sinai. Foi tão sobrenatural e impactante que caíram de bruços (6).
            Quando olhamos para uma luz por muito tempo ou até mesmo ficamos em frente a uma TV de Tubo de Imagem (as antigas), saímos com a imagem em nossa mente. Para onde olhamos a imagem vai junto.
            Cientificamente o nome que se dá é Ilusão por Persistência de Imagem.
            A influência de um estímulo luminoso na retina provoca uma sensação luminosa. Em consequência da inércia, decorre um determinado intervalo de tempo até a retina ser impressionada. A excitação sobrevive ao estimulo provocado durante um breve período.
           
            A experiência dos apóstolos foi tremenda. Viram o rosto de Jesus brilhando e este brilho os seguiu para sempre. Quando olhavam para Jesus o seu rosto brilhava. Para onde olhavam o rosto brilhante de Jesus era projetado.
            Quando temos uma experiência com a face de Cristo nossa forma de olhar a vida muda totalmente. Até mesmo nossa relação com o pecado. Diante das tentações, olhamos e o brilho do rosto de Jesus ofusca as imagens e cenas do pecado. Quando olhamos as pessoas e as situações difíceis, o rosto de Jesus é projetado na frente.
            Precisamos desta experiência. Que o rosto de Cristo brilhe em nossos olhos. Que sejamos transfigurados pelo brilho do rosto, das vestes e da nuvem de luz.
            Que fiquemos impactados e selados pelo brilho do rosto de Jesus. Que venhamos ficar mais tempo olhando para sua face. Que nossos momentos de adoração possam ser longos e de qualidade quanto nosso momento de intercessão.
            Nesta experiência os apóstolos não pedem nada. Nada lhes é prometido em questão material. Apenas são transformados e saem com o rosto brilhando de Jesus em sua alma. São transfigurados pela experiência da transfiguração.

O Monte Tabor fala de Mandamentos
            Os apóstolos recebem três mandamentos:
(5) “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi”.
(7) “Erguei-vos e não temais”!
(9)  “A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos”.
O primeiro mandamento é ouvir o Filho. Pedro não o quis ouvir quando falou do sofrimento e da cruz em Jerusalém. Mas o Pai diz: a Ele ouvi. Precisamos ter os ouvidos abertos para ouvir tudo que Jesus fala. Não podemos tentar interpretar aquilo que Jesus fala com clareza. Ouvi é sinônimo de observar, obedecer. Precisamos ser a geração dos obedientes. Santidade também é sinônimo de obediência.
O Monte Tabor não trouxe revelações e direcionamentos para os apóstolos como o Sinai trouxe para Moisés. Eles recebem a ordem de ouvir Jesus e aparentemente Jesus nada fala a não ser exigir que nada digam. Muitas vezes estamos ansiosos para receber profecias precisas sobre nossa vida. Mas o silêncio de Deus também é profético e pedagógico. Precisamos aprender a esperar em Deus. Muitas vezes Ele irá falar por meios diferentes dos nossos meios comuns. Precisamos ouvir com o Espírito o que Jesus irá falar e quando Ele falar. Mesmo que nada fale agora, nosso espírito precisa estar na disposição de ouvir.
O segundo mandamento é não temer. Muitas vezes não mergulhamos mais fundo nos mistérios de Deus porque tememos. Temos tanto medo que não nos aprofundamos. Nosso medo é causado pelo nosso preconceito. Temos medo de estudar a espiritualidade Clássica porque é um movimento antes da Reforma. Temos medo de ouvir coisas que nos tiram de nossa zona de conforto. A voz do Pai gerou medo. A nuvem de luz trouxe pavor. Muitas vezes fugimos de uma experiência mais profunda com o Senhor por puro medo.
O terceiro mandamento fala do silêncio. Não era momento de testemunhos e relatos. Precisavam controlar a ansiedade e a necessidade de relatar a experiência. O monte Tabor precisaria ser degustado. Degustado muitos dias. Só poderiam relatar a experiência depois da ressurreição, justamente por que o monte Tabor é uma antecipação da Glória do Cristo ressuscitado. Quantas vezes não sabemos ficar em silêncio. O Silêncio é fonte de cura. O não compartilhar uma revelação pode ser estratégia de Deus para nossa cura. Existem coisas que Deus tem ministrado em minha vida que preciso curtir como um vinho antigo. Muitas vezes preciso colocar minhas experiências na adega do meu coração. Um dia poderei servir o bom vinho que foi depurado e preparado. Muitas vezes não consigo discernir a vida e a minha história. Preciso ter certa distância para enxergar melhor como uma presbiopia espiritual. Deve ter sido difícil Pedro, Tiago e João guardar os acontecimentos do Tabor. Só depois de muito tempo que Pedro escreve: “Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo - 2 Pedro 1:17,18. Pedro escreveu esta carta entre 65 e 68 dC. Ou seja, cerca de 34 anos depois do acontecimento. Os apóstolos relataram aos evangelistas. Mas Pedro fala do seu discernimento somente 34 anos depois. Muitas vezes estamos apressados para tentar discernir a voz de Deus. Queremos uma chave para decifrar tudo. Mas não é assim a revelação. Deus deseja que estejamos abertos a obedecer, esperar e ficar em silêncio. Um dia relataremos tudo. Um dia teremos pleno discernimento. Precisamos aprender a praticar o silêncio. A terapia do silêncio.
No Livro “O Peregrino Russo”, um monge abre a Filocalia, e escolhe uma passagem de São Simeão, o Novo Teólogo (949-1022 dC) e ensina: "Permanece sentado no silêncio e na solidão, inclina a cabeça, fecha os olhos; respira mais devagar, olha, pela imaginação, para o interior de teu coração, concentra tua inteligência, isto é, teu pensamento, da tua cabeça para teu coração. Dize, ao ritmo da respiração: "Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim", em voz baixa, ou simplesmente em espírito. Esforça-te para afastar todos os pensamentos, sê paciente e repete muitas vezes esse exercício".
Depois de uma longa caminhada o Peregrino relata: “eu sentia grande desejo de recolhimento, de ficar em silêncio. A oração irrompia no meu coração e eu precisava de calma e quietude para deixar essa chama subir livremente e para esconder um pouco os sinais exteriores da oração: lágrimas, suspiros, expressões do rosto, murmúrios dos lábios”.
A espiritualidade do Silêncio está disponível a todos. O Peregrino diz: “Qualquer pessoa pode fazer a mesma coisa. Basta mergulhar mais silenciosamente no fundo do seu coração e invocar mais o nome de Jesus Cristo: imediatamente se descobre a luz interior, tudo fica mais claro e, nessa clareza, aparecem certos mistérios do Reino de Deus”.
Efrém, o Sírio (306-373 dC) dizia: "Um bom discurso é de prata, mas o silêncio é de ouro puro".
A recomendação do Peregrino aos novos monges era: “Refugiai-vos no silêncio de vossa cela, lede e relede o evangelho". E comenta: “Eis, pois, o motivo pelo qual me prendo ao evangelho exclusivamente”.

A conclusão do Impacto.
            Pedro não sabendo o que dizer falou (4): “Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias”.
            Jesus não o repreende pela sugestão. Sabemos que o Pai não queria que Pedro construísse três tendas, mas que ouvi-se Jesus. Contudo a experiência ficou em seu coração. “Bom é estarmos aqui”. E Pedro ficou ali para sempre. Ele desceu do Monte, mas o Monte nunca desceu do seu coração. Levou o rosto brilhante de Jesus.
Por isso, mesmo no pecado da madrugada da sexta-feira santa quando negou Jesus três vezes, Pedro não desistiu de seguir o Senhor e se arrependeu. O monte continuou em seu coração. Ainda via o rosto de Cristo brilhando em sua frente. “Bom é estarmos aqui”.
            A pessoa que um dia gozou da experiência com Cristo e se perdeu no caminho, chora por dentro porque um dia perdeu o que era “bom”.
Podemos e devemos descer do monte e enfrentar as situações do cotidiano, mas o Monte nunca poderá descer da nossa vida. A face de Cristo precisa continuar brilhando em nossos olhos e mentes. Mesmo vendo o Jesus transfigurado pelas chicotadas e sangue, precisamos ver o brilho em seu rosto e nos erguer. “Erguei-vos e não temais”.
Que saiamos do retiro da Transfiguração com o brilho do Jesus ressuscitado em nossa face. Em Nome de Jesus. Amém.


Versículos Bíblicos sobre a Vida Transfigurada:

Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis. João 14:19

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Gálatas 2:20

Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; 1 Pedro 1:15

Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação; 1 Tessalonicenses 4:3

Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação. 1 Tessalonicenses 4:7

Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; Hebreus 12:14

Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.Romanos 6:22

Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; 1 Tessalonicenses 4:4

Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Romanos 8:39

Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Gálatas 3:27

Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Efésios 2:13

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Efésios 1:3

Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Filipenses 3:13,14


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[1] Antonio Barluzzi  (Roma26 de setembro de 1884 – 14 de dezembro de 1960) foi um frade franciscano e arquiteto italiano, célebre como "arquiteto da Terra Santa"